Diogo Duarte:
«O betão e o alcatrão que estão a ser gastos no Faial não é nenhum favor que nos estão a fazer»

Fotografia com direitos reservados
Usei há umas semanas a expressão “o Faial está ao abandono”, em jeito de provocação, numa publicação que fiz no grupo Aeroporto da Horta. Criticava a posição do poder local e da representação parlamentar em relação às irregularidades que se continuam a verificar no transporte de passageiros, e das respetivas bagagens de porão, de e para Lisboa.
O destino Faial continua a ser tratado com desrespeito (exemplo disso é o aluguer de uma aeronave A320 com mais limitações do que as que fazem parte da frota da Azores Airlines) e que insistiram em utilizar no Faial, com uma pista já de si limitada à operação destas aeronaves.
O partido que na oposição criticava veementemente estas situações e que até apontava o dedo ao Governo Regional e à administração da SATA, agora opta pela utilização de um “soft power” que em nada irá pressionar o poder político regional nem a administração da companhia aérea.
Portanto, em vez de dizer que era má vontade, desatenção, ou obediência partidária, eu preferi chamar-lhe de abandono. E houve quem se ressentisse.
Mas penso que esta expressão também me possa ter surgido quando estive no Faial de férias nas duas primeiras semanas de Agosto.
Ao chegar ao Faial fui logo confrontado com o estado das bermas das principais estradas da ilha. Autênticos matagais, que parecem mesmo estar ao abandono. Ao chegar à rua onde vivo a mesma coisa. Além do matagal, dois carros abandonados há anos. Os dois moinhos de vento em alto estado de degradação. Se a sensação com que se fica não é de abandono, será o quê então?
Um turista que chega à nossa ilha, que se vê privado da sua bagagem, que vê o seu voo alterado várias vezes sem nenhuma explicação, que acaba por ter de chegar um dia ou dois depois do planeado e se depara com uma ilha neste estado vai pensar o quê?
O betão e o alcatrão que estão a ser gastos pelo Governo Regional no Faial não é nenhum favor que nos estão a fazer. É uma necessidade e um direito. Nada disto pode nem deve ser usado como moeda de troca para que outros temas sejam postos de parte ou… abandonados.
O caminho do desenvolvimento pleno do Faial só se fará quando os políticos faialenses se alinharem mais na defesa da sua ilha, nas suas justas reivindicações, do que na acérrima defesa dos seus partidos.


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