Ernesto Jorge:
«Não me recordo de termos assistido a tantas obras em simultâneo»

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Na minha opinião a expressão «o Faial está ao abandono» remete sobretudo para o campo político. É natural que a oposição utilize este tipo de slogans ou afirmações, porque faz parte do seu papel.
Eu, no entanto, não partilho dessa visão. O Faial não está ao abandono. Aliás, não me recordo de, nos últimos 30 ou 40 anos, talvez até mais, termos assistido a tantas obras em simultâneo na nossa ilha. Obras grandes e estruturantes, fundamentais para o nosso desenvolvimento.
Para mim, pouco importa se os projetos vêm do PS, PCP, PSD, BE ou de outro partido qualquer, se são financiados pelo PRR ou por outros fundos europeus. O que realmente interessa é que esses apoios sejam aproveitados e aplicados em benefício da ilha.
Vejamos alguns exemplos:
Frente Mar: a primeira fase foi concluída. Pode-se gostar mais ou menos, mas esteve em discussão pública antes de ser iniciada. A zona está hoje mais moderna, embora continue a haver carência de estacionamento.
Variante: a segunda fase tinha desaparecido do mapa no anterior Governo Regional, mas agora avança. Pouco me importa quem reivindica a autoria, o que interessa é que está em execução e fazia falta. Relembro que a primeira fase, nem iluminação pública tem.
O Tecnopolo.
Moradias para estudantes/investigadores do polo universitário (DOP).
Habitação: ouvi críticas dizendo que o PS tinha construído muitas casas. É verdade, mas foram erguidas no pós-sismo, uma resposta a uma catástrofe. Hoje, estão já em andamento novas habitações nas Canadinhas, junto ao campo de futebol da Feteira, no antigo parque de estacionamento e noutros pontos. Nunca vi tantas iniciativas deste género ao mesmo tempo.
Estradas municipais: várias estão em requalificação (Caminho Fundo, Courelas, Algar, Salão), com melhorias também na rede de águas. Claro que ainda há muito por fazer, como na Estrada Regional Horta —Lombega ou na Caldeira — Ribeira do Cabo, onde as condições são inaceitáveis.
Face a tudo isto, dizer que o Faial está ao abandono é, no mínimo, injusto. Quem o afirma fá-lo porque não quer ver, ou porque tem interesse político em criar esse discurso.
Também se ouve frequentemente que «esta câmara só quer é festas». Mas vejamos: no passado criticava-se que, ao contrário das outras ilhas, o Faial não tinha eventos de dimensão. Hoje temos a Semana do Mar, a Noite Branca, o Festival Maravilha, e ainda assim a Câmara consegue investir em equipamentos, renovar a frota de recolha do lixo, avançar com obras em estradas e redes de água, e reduzir o défice. Então, em que gastavam o dinheiro os executivos anteriores?
Quanto à limpeza das bermas e pequenas obras nas freguesias, sei que, pelo menos na minha freguesia que é a Feteira, a Junta até quer pagar, mas não encontra mão-de-obra disponível. O mesmo se verifica em obras maiores, que sofrem atrasos pela mesma razão. Situação semelhante já se viveu no pós-sismo. Até a Atlânticoline teve de recrutar pessoal de fora, jovens a quem deu formação e alojamento para suprir necessidades.
Concluindo: na minha opinião o Faial não está ao abandono. É verdade que esteve esquecido durante muitos anos, talvez porque somos poucos e o peso eleitoral da nossa ilha nunca incomodou quem nos governava. Mas hoje vejo sinais claros de mudança.


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