CAPELINHOS Diário do Vulcão
O Vulcão começou a «vomitar fogo»
3.º DIA, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 1957
«O movimento de automóveis para os Capelinhos tem sido permanente, conduzindo pessoas que vão admirar o belo-horrível do fenómeno», informou O Telégrafo, na edição dominical. Depois da descrição do comportamento inicial do Vulcão e de ter relatado o sobressalto da população na edição anterior, o matutino publicou as primeiras notas de reportagem. «Cerca das 18 horas as escórias, algumas muito volumosas, começaram a ser expelidas a uma altura de cerca de 70 metros, no que eram acompanhadas por roncos cavernosos», escreveu o redator, continuando: «O mar numa área aproximada de 3 milhas de largura e 5 de comprimento apresenta-se com uma cor de amarelo-sujo, parecendo lama.»
O jornal seria impresso ao fim da tarde, para distribuição no dia seguinte bem cedo, já o sabemos. Por isso, a alusão às horas levanta a dúvida sobre a que dia dizem respeito. Perante as circunstâncias é provável que a edição tenha fechado tardiamente. Se assim foi, a frase seguinte mostra quanto atualizada estava a Redação: «Cerca das 22 horas fomos informados que o vulcão começara a vomitar fogo.»
Embora o Farol continuasse «em constante oscilação», o pessoal mantinha-se «corajosamente» ao serviço, disse o jornal, adiantando que um avião voltara a sobrevoar os Capelinhos.
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