O surto de gastroenterite que assola o Faial estará resolvido durante o mês de setembro, segundo a previsão do delegado de Saúde da Horta.
Em comunicado, Armando Faria afirma que «com a manutenção e o reforço das medidas [preventivas], é expectável uma descida progressiva [dos casos de gastroenterite] e o regresso à normalidade ao longo de setembro».
A Delegação de Saúde da Horta (DSH) concluiu, embora ainda aguarde confirmação laboratorial, que «o agente mais provável» da gastroenterite em curso «é um vírus de elevada transmissibilidade, mas habitualmente inofensivo», que pertence ao «grupo dos norovírus».
Analisando a situação, a DSH adianta que a «doença tem afetado sobretudo a população adulta e tem, até agora, poupado de forma relativa as pessoas idosas — o grupo de maior risco —, o que é tranquilizador».
Sobre as reiteradas especulações, nomeadamente nas redes sociais, relacionadas com a contaminação da água de consumo público, a DSH mantém, como o já tinha feito anteriormente, que «não existe qualquer evidência que associe os casos à água da rede pública». Mas, por precaução, continuarão a ser feitas análises.
VÍRUS IMPORTADO
A DSH aponta a possibilidade de o surto de gastroenterite ter sido importado do continente: «Tudo aponta para uma introdução associada à maior circulação de pessoas própria do verão — chegadas por via aérea e marítima, sobretudo do continente, onde o vírus circulava —, com posterior amplificação nos habituais contextos de convívio estival da ilha (festivais, marina e praias) e transmissão sustentada de pessoa para pessoa».
«A análise da curva de casos — prossegue — situa o início do surto em meados de julho (entre os dias 13 e 20), após semanas de normalidade».
Sobre a evolução dos casos identificados, a DSH diz que «os números permitem acompanhar o “ritmo” do surto».
«O número de reprodução efetivo — quantas pessoas, em média, cada doente infecta — subiu acima de 1 na semana de 20 de julho, atingiu cerca de 1,5 e estabilizou, mais recentemente, em torno de 1,3. As variações de dia para dia na urgência — com maior afluência às segundas e quartas-feiras e menor ao fim de semana — refletem o padrão de procura de cuidados, e não alterações do contágio», conclui.
Armando Faria acrescenta que «a resposta tem sido coordenada com o Hospital da Horta, a Unidade de Saúde da Ilha do Faial, as equipas de controlo de infeção, a entidade gestora da água e a autarquia, com monitorização diária e com o apoio técnico da Direcção Regional da Saúde e da Coordenação Regional de Saúde Pública».
«O delegado de Saúde está a reunir com a entidade gestora da água, com os representantes da restauração e com os responsáveis das estruturas residenciais para idosos e das creches, priorizando a proteção das pessoas mais vulneráveis», informa o responsável da Autoridade Regional de Saúde no Faial.
Por fim é chamada, de novo, a atenção da população para as medidas de cautela em face da situação.
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Escrito por
José Manuel Souto Gonçalves
às 20h00 de quarta-feira
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