OS DOIS “25”
Ouvi a entrevista de Ramalho Eanes na SIC Notícias. Aliás, não se tratou de uma entrevista, no sentido jornalístico do termo. Foi mais uma oportunidade para a estação ganhar audiência, aproveitando a aceitação que a personalidade em causa desperta na opinião pública.
Na verdade, a acutilância de qualquer jornalista suaviza-se perante um homem de 90 anos. Porém, ficaram por fazer algumas perguntas.
Se a jornalista quis saber por que é que Ramalho Eanes decidiu candidatar-se à Presidência da República, também podia ter-lhe perguntado a razão que o levou apadrinhar o Partido Renovador Democrático.
As questões postas por Marques Mendes, agora muito meloso (basta ver as imagens promocionais do seu espaço de comentário na SIC para se perceber o desejo de chegar ao lugar que Eanes ocupou), serviram, somente, para constar, sem um mínimo de sentido crítico – não percebi a decisão de realizar a entrevista naquele contexto e não no âmbito de um serviço noticioso.
Acompanho o general Eanes na tese de que os dois “25” (de Abril e de novembro) são indissociáveis, embora não alinhe com a ideia, que começa a fazer caminho, de que se faça uma celebração da segunda data.
Uma coisa é certa: se não fosse o 25 de Abril a liberdade tardaria, “sine die”; mas, sem o 25 de novembro, Álvaro Cunhal teria implantado em Portugal um regime de partido único. ✓
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