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Após um ano de silêncio, a música volta a ser entoada
A Ouvidoria da Horta divulgou hoje, na sua página do Facebook, o programa da festa religiosa e cultural em honra de Santa Cecília.
A primeira parte irá decorrer na igreja do Carmo, a partir das 20 horas do sábado 15 de novembro, com o Encontro de Coros de Santa Cecília. A segunda acontecerá na Matriz, no domingo, 16 de novembro, com um desfile das filarmónicas a partir das 17h15 e a missa solene às 18 horas.
Conforme apurou soutoemlinha, o Encontro de Coros terá a participação dos grupos corais paroquiais das Angústias, Conceição, Flamengos, Matriz e do coro da unidade pastoral dos Cedros, Praia do Norte e Salão. Tomarão parte também o coro Mater Dei, das Angústias, e o Grupo Coral da Horta.
A organização do evento pertence à Paróquia da Matriz que endereçou convites aos 20 agrupamentos que estão em atividade, presentemente, no Faial: para além dos coros paroquiais de Castelo Branco, Capelo, Feteira, Pedro Miguel, Praia do Almoxarife e Ribeirinha (centro e Espalhafatos), ainda existem o Coral de Santa Catarina, o Coro da Santa Casa da Misericórdia da Horta, o Stella Maris (igreja do Carmo) e o grupo da catequese dos Flamengos.
Por razões diversas, nomeadamente a dificuldade de reunir os respetivos membros na data do Encontro, uma parte dos grupos convidados não poderá marcar presença.
As oito filarmónicas da ilha receberam convite para participarem no desfile e na missa solene, que será cantada por um grupo composto por elementos de todas as paróquias da Ouvidoria da Horta, acompanhados por um “ensemble” (grupo) composto por seis professores e dois alunos do Conservatório Regional da Horta.
UM ANO DIFÍCIL
Esta solenidade, cuja origem remonta a 1922, tinha grande adesão no meio musical faialense, extravasando o aspeto religioso, mas, ultimamente, foi perdendo a sua grandiosidade e, há um ano, sofreu uma notória quebra devido a problemas relacionados com a respetiva organização. A missa não foi cantada, ao arrepio da tradição, que primava pela reunião das capelas (grupos corais) das paróquias do Faial.
O impacto negativo do sucedido levou um destacado católico faialense, Fernando Campos, radicado na Horta há mais de seis décadas, a manifestar, «pela primeira vez» num órgão de comunicação social, o seu descontentamento: «A dado momento
senti-me completamente deslocado», escreveu no Tribuna das Ilhas, referindo-se à sua participação na Eucaristia.
«Onde estavam, no mínimo, o órgão e o canto litúrgico? Não fora a Aclamação ao Evangelho, entoada por um dos sacerdotes concelebrantes, e naquela Assembleia celebrante, tão variada e rica, não ecoaria um cântico de louvor e ação de graças a Deus, nos Seus Santos, no caso, Santa Cecília, mais parecendo estarmos na celebração de uma missa ferial ou exequial», lamentou Fernando Campos no seu artigo publicado no semanário faialense.
O autor deste portal também se referiu ao assunto num “post” do Facebook, dizendo que a festa «está a passar por uma crise profunda». Recordou «a participação das capelas das paróquias, inicialmente apenas as da cidade e, posteriormente, de toda a ilha» que ocorria anteriormente, acrescentando que «mais tarde se juntaram as filarmónicas, que, em boa verdade, provocaram alguns incidentes ao longo do tempo, mas, nunca se chegou ao ponto da missa em honra da padroeira dos músicos nem sequer ser cantada, como aconteceu [em 2024]».
Ainda sobre a festa de há um ano o autor deste portal afirmou: «Salvou-se a sempre empolgante interpretação do hino das viagens mártires pelas filarmónicas presentes, em uníssono, notando-se a ausência de três bandas, uma das quais foi até à porta do templo, fez a saudação protocolar, e partiu!»
«Há que perceber as razões do sucedido e atuar para repor a tradição. A Igreja tem essa obrigação», concluiu.
Entretanto, a poucos dias da festa, em 2025, tudo está a convergir para a recuperação de um dos mais sublimes momentos musicais a que o Faial anualmente assiste.
Agora a cargo do cónego António Saldanha, a paróquia da Matriz, organizadora do acontecimento, corresponde à esperada reposição da solenidade, confirmando o que se esperava do novo pároco.
A Matriz da Horta ofereceu aos faialenses, ao longo de mais de um século da realização da festa de Santa Cecília, ocasiões de grande brilho, altíssimo nível cultural e profunda vivência espiritual.
As gerações mais recentes ainda desfrutaram da beleza da festa já na fase de epílogo da época dourada de Santa Cecília da Matriz da Horta, cuja organização se esmerou para a transmissão direta da missa, inédita, pela RTP para o auditório nacional, em 1977, que se ficou a dever ao faialense Humberto de Melo Pereira, realizador e produtor da estação pública de televisão, conforme lembrou o maestro José Amorim de Carvalho aquando do centenário.
Fotografia de Fernando Duarte

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