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Moinho da Carreira, Castelo Branco (fotografia da coleção de Joe Leal)
MOINHOS DE VENTO, MOAGENS E ATAFONAS
Moinhos do Faial [em composição]
Nos últimos anos tem-me causado alguma desolação o galopante abandono e consequente deterioração dos moinhos do Faial. Porquê? Porque sinto pena que estes eloquentes testemunhos de vivências do nosso passado, esteticamente muito bonitos, corram o risco de desaparecerem por completo. Sei que várias pessoas, algumas delas cientificamente bem habilitadas, se têm debruçado sobre o assunto, com o propósito de ajudarem a salvar tão rico património. Não obstante, achei que poderia também dar um contributo, sendo um mero curioso. Vi no Facebook uma publicação do Diogo Duarte sobre os moinhos da Lomba do Pilar (“De cima da lomba”), em acelerada degradação e, mais tarde, um comentário do Bruno Peixoto, perguntando, com grande sentido de oportunidade, por que é que os moinhos do Pico estão conservados e os do Faial não. Estes dois “posts” mexeram comigo e resolvi: vou fazer alguma coisa!
O meu propósito é fazer uma inventariação dos moinhos de vento, moagens e atafonas que existiram, ou ainda existem, na ilha do Faial e contar a sua história. Por isso, gostaria de recolher o máximo possível de informações, e fotografias, antigas ou atuais, sobre os moinhos, moagens e atafonas do Faial. Quem tiver fotografias, ou informações, sobre este assunto e puder colaborar comigo, ficarei muito agradecido. Podem enviar-me fotografias digitalizadas e textos com informações para o e-mail soutoemlinha@gmail.com
A quem tiver fotografias em papel e esteja disponível para cedê-las peço que me contactem para eu fazer a respetiva digitalização. Depois, devolverei os originais.
Antecipadamente grato, Castelo Branco, Horta, segunda-feira, 2 de setembro de 2024
José Manuel Souto Gonçalves
CASTELO BRANCO
Moagem de Jorge Jorge (Carreira)
Esta moagem existiu no lugar da Carreira (Estrada Regional), propriedade de João Jorge. A sua origem remonta à década de 70 do século XX (ou à década anterior), construída por Casimiro Gonçalves. O seu primeiro moleiro foi José Gomes, anterior proprietário e moleiro do moinho da Carreira, segundo António Braia.
A moagem, originalmente, era acionada por um trator, da marca “International”, através de uma correia ligada ao tambor do veículo. Esta máquina foi um dos motores das debulhadoras de trigo de Casimiro Gonçalves, nos anos anteriores à moagem.

João Jorge, fotografado pelo seu filho Paulo Jorge, em 2010, na sua moagem da Carreira, que deixou de funcionar neste ano, devido a uma avaria
Moinho da Canada dos Inocentes
O investigador histórico albicastrense Fernando Silveira conta uma estória segundo a qual, no início dos anos 80 do século XX, um homem ficou sem a ponta de um dedo quando se encontrava neste moinho. A pessoa em causa era avô do albicastrense José Manuel Vargas.
Moinho da Canada de Santa Catarina
Confirmada, pela neta do moleiro, a existência deste moinho de vento, entretanto desaparecido. Humberta Ávila recorda-se de lá ir; do avô, de apelido Gomes, à porta; de subir pela escada de madeira; e de «ver o milho triturado pelas mós».
O investigador histórico albicastrense Fernando Silveira também refere a existência do moinho, que, no entanto, nunca visitou, apenas conheceu quando percorria a Canada de Santa Catarina.
Moinho da Carreira
Segundo António Braia, num comentário escrito no Facebook, o moinho da Carreira, assim denominado por se situar neste lugar e que foi propriedade de José Gomes, entre outros, era «o único moinho de armas de Castelo Branco». Ainda de acordo com António Braia, nascido e residente na vizinhança, «no Faial havia três sistemas de aproveitamento do vento pelos moinhos: o de palheta; o de armas; e o de velas». Este cidadão, que é portador de vastos conhecimentos sobre a ilha do Faial, refere que «no de armas as hastes tinham, para um dos lados, um conjunto de réguas que formavam um retângulo, retângulo este que servia de suporte ao pano, o qual, conforme a intensidade do vento, era total ou parcialmente desfraldado».
«Do moinho de vento da Carreira, classificado como Imóvel de Interesse Público por Resolução n.º 234/96 de 3 de Outubro, N.º de Registo no Inventário do Património Imóvel dos Açores 71.77.87, só resta o tronco cónico em alvenaria», acrescentou António Braia, no domingo, 1 de setembro de 2024, adiantando que «o moinho de vento giratório, por incúria de quem de direito, já não existe».
Kenneth Bettencourt, também na rede social Facebook, a propósito do moinho da Carreira, recorda que, muitas vezes subiu «as escadas» com «um saco de milho para ser moído», para a mãe «fazer em casa pão que era muito apreciado» durante a sua juventude.
O autor deste portal soutoemlinha também se recorda do moinho da Carreira ainda de pé, embora já sem atividade, mas que era local de visita e brincadeiras, na década de 70 do século passado. No topo da escadaria desfrutava-se de uma magnífica vista.
Conta o investigador histórico albicastrense Fernando Silveira que, certo dia de pouco vento, o moinho estaria com dificuldade em «arrancar». Qual a razão? O seu conterrâneo Fernando Eugénio estava agarrado a um dos panos, numa das muitas tropelias que ocorriam à volta do moinho! Fernando Eugénio, ainda de acordo com Fernando Silveira, terá adquirido o moinho, já na idade adulta, por 200 contos.
Moinho da Ramada, Lombega
O investigador histórico albicastrense Fernando Silveira recorda que existia um moinho atrás do Império da Lombega. Um tio da professora Estela Alvernaz estaria, segundo Fernando Silveira, a sachar milho nas proximidades do moinho quando foi atingido por uma palheta na cabeça, falecendo de imediato. Fernando Silveira informa que o moinho foi demolido, não especificando se em consequência deste fatídico episódio, e refere que tomou conhecimento do acidente através de Manuel da Rosa, entretanto falecido.
LIVROS E PUBLICAÇÕES
─ Título: Na rota das ilhas: moinhos de vento dos Açores →→
Autores: Carlos Lobão e António Ramires
─ Título: Moinhos de Vento da Ilha do Faial: Projecto de Recuperação Patrimonial e Dinamização Cultural →→
Autora: Sónia Alexandra Ramalho Domingos
─ Título: Moinhos de Vento dos Açores — novo papel na sociedade contemporânea →→
Autor: Luís Bettencourt
| Inventário dos Moinhos de Ventos dos Açores (Faial) →→
NOTAS
─ Segundo inquérito de 1890 existiam na Região 432 moagens. Em 1910, 626. A moagem faialense de José Peixoto Ávila & Cª foi montada em 1914.
[ António Braia, Facebook, 2024-09-04, quarta-feira ]

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