NOTÍCIA
Inovação. Faial dispõe de táxi para transporte de cadeiras de rodas
Numa terra onde se diz que é difícil investir, há sempre alguém que toma a iniciativa de inovar
Chama-se Ana Teresa Silva, gosta de conduzir, já estava ligada ao sector dos transportes e agora resolveu alargar a sua atividade, com espírito inovador.
Assim, o Faial passou a ter, através da empresa «ATS Transportes de Ana Teresa Silva», duas viaturas equipadas para o transporte de cadeiras de rodas: um táxi com lotação de 6 lugares (incluindo o condutor e 1 cadeira de rodas) e uma viatura VDTD (Veículo Dedicado ao Transporte de Doentes) com capacidade
também para 1 cadeira de rodas e acompanhante.
— Como surgiu a ideia de prestar este serviço?
— Sempre tive o sonho de ter o meu próprio negócio, tinha que ser algo relacionado com os transportes, é um gosto meu conduzir. Para além de trabalhar com meu pai como motorista de pesados no pronto-socorro fazia também um “part-time” em táxi e apercebi-me de que o transporte de pessoas com mobilidade reduzida era uma dificuldade cá na ilha. Decidi investir e arrisquei.
— Tem havido procura?
— Já existia o serviço de transporte de doentes não urgentes (VDTD — Veículo Dedicado ao Transporte de Doentes) cá na ilha, mas o serviço de táxi de mobilidade reduzida é novidade cá na ilha. O Município da Horta abriu concurso em junho deste ano e eu decidi embarcar neste desafio. Aos poucos as pessoas vão sabendo e ficam satisfeitas pelo conforto que é não ter que sair da cadeira de rodas para chegar ao alojamento ou ao hospital. Tenho lidado com alguns passageiros que vêm de outras ilhas deslocados para vir ao médico.
— Foi necessária alguma formação para avançar com a iniciativa?
—Sim, o Suporte Básico de Vida (SBV) certificado pelo INEM.
— Muitas pessoas dizem que não é fácil inovar no Faial. Existiram dificuldades para pôr de pé este projeto?
— Foi um processo difícil e demorado, mas não por ser no Faial. Este tipo de serviço envolve muita burocracia para legalizar este tipo de viaturas tanto uma como a outra.
— Trabalhar com pessoas com alguma deficiência implica ter vocação, ou este serviço é encarado por si com naturalidade?
— Encarei esta área de forma natural e isto é uma forma de, para além de ser um negócio para mim, também consigo ajudar quem tem dificuldade em se deslocar.

ESCRITO POR
José Manuel Souto Gonçalves
TERÇA-FEIRA 11H56



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