NOTÍCIA
Furacões tardam a chegar ao Atlântico Norte
Pela primeira vez em 112 anos o Atlântico Norte passou o final da primavera e o verão sem furacões
Toda a gente conhece a expressão “isso foi na Guerra de 14”, que é o que, por vezes, se diz, sobre um acontecimento já muito distante no tempo.
Esta expressão pode ser, agora, aplicada, com sentido duplamente reforçado, à demora em chegarem ao Atlântico Norte os furacões da temporada de 2026, iniciada a 1 de junho (termina a 30 de novembro).
Na verdade, desde 1914 que não se atingia a terceira semana de setembro sem que tivesse havido a formação de furacões nesta zona do Globo.
Nos últimos 112 anos ocorreram sempre furacões no Atlântico Norte antes do final do verão. Só nos recuados 1914 e 1907 é que não, e, agora, também, em 2026.
O Professor José António Martins Goulart, jubilado pela Universidade dos Açores e doutorado pela Universidade da Califórnia, acompanha, ainda que a título de “hobby”, mas com conhecimento e rigor insuspeitos, os fenómenos meteorológicos, nomeadamente, aqueles que incidem sobre os Açores.
Do manancial de informação que possui e recolhe tem beneficiado soutoemlinha, a quem Martins Goulart cedeu um resumo das tempestades que, desde 1 de junho, ocorreram na área do Atlântico Norte e que, por não terem atingido o grau de furacão, confirmam 2026 como um ano atípico, apenas com paralelo, como foi referido, nos anos de 1907 e 1914.
«De acordo com os dados do NHC (National Hurricane Center), ocorreram, até à presente data, no Atlântico, seis tempestades a que foram atribuídos os seguintes nomes: Arthur, Bertha, Cristobal, Dolly, Edouard e Fay. As seis apresentaram características de tempestades tropicais, ou seja, a velocidade dos ventos sustentados situou-se entre os 62 e os 118 km/h. Por essa razão, não são consideradas ciclones tropicais ou furacões (velocidade do vento igual ou superior a 119 Km/h). Daí que a contagem oficial actualizada seja a seguinte: seis tempestades tropicais com nome, zero ciclones/furacões e zero grandes furacões», explicou Martins Goulart, interrogado por soutoemlinha.
«A tempestade mais recente a não atingir a categoria de ciclone tropical/furacão — especificou — foi a Tempestade Tropical Fay. A TT Fay formou-se em 19 de setembro e atingiu ventos máximos sustentados de, aproximadamente, 112 km/h antes de enfraquecer, ficando assim aquém dos 119 km/h, o limite inferior para a categoria de ciclones tropicais. No início de 22 de setembro, os ventos máximos sustentados de Fay haviam caído para 40 milhas por hora, e o Centro Nacional de Furacões informou que a tempestade continuava a enfraquecer.»
Martins Goulart recordou que «este cenário meteorológico foi genericamente previsto pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) há alguns meses quando se confirmou a formação de um El Niño forte. Este fenómeno provoca um significativo aumento da intensidade do cisalhamento dos ventos em altitude no Atlântico e, consequentemente, contribuindo para a desestruturação de formações ciclónicas».

ESCRITO POR
José Manuel Souto Gonçalves
QUARTA-FEIRA 15H06



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