O cantor picoense Zé Duarte atuou, recentemente, perante mais de 30 mil espetadores no Petco Park, em San Diego, na Califórnia, interpretando o hino dos Estados Unidos da América.
Foi um momento impactante, sobretudo para picoenses, faialenses e açorianos, que, “do lado de cá”, puderam ver as imagens através das redes sociais. A comunidade luso-americana viu, também, certamente, arrebatado o orgulho português.
O timbre e a potência vocal de Zé Duarte, que não deixam ninguém indiferente, realçaram-se num ambiente emocionante, que tocou, de forma especial, o sentimento de açorianidade, e não deixará de ter tido também um efeito assinalável no público que assistiu diretamente ao evento.
O Petco Park é considerado o melhor estádio de «baseball» dos Estados Unidos, o que releva o significado de uma exibição musical naquele lugar.
«Esta oportunidade surgiu há uns meses quando me perguntaram se eu gostaria de cantar o hino nacional dos Estados Unidos para celebrar a importância da emigração e descendência portuguesas em San Diego», contou Zé Duarte a soutoemlinha.
Também tomou parte no acontecimento o grupo folclórico Portuguese American Dancers.
Zé Duarte reconheceu «a grande projeção que esta oportunidade» proporcionou, sublinhando «a honra» que sentiu como «português/americano» que é.
PERCURSO
Filho do professor José Duarte Garcia, figura incontornável de São Roque do Pico, do Pico e dos Açores, nos campos cultural, social e económico, Zé Duarte, nascido naquela vila, hoje com 64 anos, completou o ensino secundário na Escola Secundária da Horta, rumando aos Estados Unidos da América em 1986.
Levou consigo a alma de artista e desenvolveu uma carreira, sempre como “hobby”, na Califórnia, passando pelo Havai e Bermudas, e os Açores, que revisita com frequência.
Quando estudava no Faial ganhou projeção nacional ao participar no programa da RTP «Prata da Casa», fazendo um dueto de instrumentos de corda com o professor Ramiro de Sousa Pereira, radicado há muito no Faial. A interpretação da tradicional Lira, na voz de Zé Duarte, foi, naquele tempo, um episódio de grande sucesso, que ficou no ouvido do auditório.
Nesse tempo, num espetáculo realizado na sede-ginásio do Fayal Sport, lotada, foram insistentes os pedidos do público para que a dupla executasse a Lira, o que confirmou o êxito já alcançado na televisão.
Zé Duarte, que começou a compor originais aos 18 anos, gravou, até agora, mais de três dezenas de trabalhos. O tema inaugural, «Baleia, Baleia», marca toda a sua carreira, que inclui um aspecto divertido, através do personagem «Zé Dadega», representado pelo próprio cantor.
Este picoense dá, assim, continuidade ao talento do seu progenitor, autor de quadras populares e de letras para para temas musicais do filho.
O professor José Duarte Garcia foi uma figura distinta, dinâmico titular de cargos na comunidade em que nasceu e viveu, empresário com uma grande visão, pois, a sua mão prolonga-se no celebérrimo vinho «Czar», que o seu outro filho, Fortunato Garcia, também dotado para a música, hoje acarinha e desenvolve.

Escrito por
José Manuel Souto Gonçalves
às 15h37 de segunda-feira


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