COCHINCHINA
Seria normal um cidadão da Cochinchina fazer uma obra clandestina, que se inserisse nas competências de decisão e fiscalização das respetivas autoridades, e que, durante o processo, o dito cidadão fosse notificado de que iria para tribunal e que a decisão de remeter a matéria para o foro judicial fosse consequência de o cidadão em causa contestar atitudes das referidas autoridades sobre outros assuntos?
Seria também normal que as autoridades da Cochinchina decidissem colocar no fim da lista de pagamentos a fornecedores, com uma nota de que lá permanecesse tempo suficiente para ganhar pó, a prestação de um serviço executado por um cidadão identificado com um partido diferente do que estivesse no poder?
Seria, ainda, normal, que as autoridades da Cochinchina revelassem a inauguração de um sistema tão rápido quanto eficiente que não haveria ninguém que perguntasse qualquer coisa e ficasse sem resposta, mas que, na prática, nem trata de acusar a receção?
Era para enviar mais este e-mail para a Cochinchina, mas, como já enviei vários e não serviu de nada, apesar do anunciado sistema mais veloz do que o vento, lembrei-me de deixar, num assomo quixotesco, estas perguntas no ar.

Escrito por
José Manuel Souto Gonçalves
às 17h01 de terça-feira

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