
Porto Pim. Análises da contaminação desfasadas da realidade
FRANCISCO GONÇALVES

Já lá vai o tempo em que o areal de Porto Pim ficava apinhado de banhistas. Era nas décadas de 70 e 80 do século passado, depois de a fábrica da baleia ter encerrado a atividade
Tomás Melo chama a atenção para o facto de as análises não acompanharem as mudanças rápidas na qualidade da água
Uma contaminação microbiológica levou ao encerramento da zona balnear de Porto Pim, determinado pelo delegado de Saúde da Horta desde a passada sexta-feira, 24 de julho, após a verificação do problema no dia anterior. A RTP-Açores adiantou que a interdição da praia durará, pelo menos, até amanhã, segunda-feira, altura em que será conhecido o resultado de análises entretanto efetuadas.
A praia de Porto Pim tem estado no centro das atenções, há já algum tempo, não só porque a contaminação bacteriana da água tem sido frequente, como também por causa da invasão maciça da alga «Rugulopteryx», que cobre o areal de vez em quando.
Sendo uma das praias mais aprazíveis do Faial e dos Açores é natural que a impossibilidade de frequentá-la provoque reações, principalmente na época alta turística e por altura de férias.
Um aviso foi publicado na própria praia e a Comunicação Social abordou o assunto, mas, não deixa de ser estranho que os departamentos governamentais com intervenção na matéria não tenham procurado informar a população.
Nem a Secretaria da Saúde, nem a Secretaria do Mar, muito presentes nas redes sociais, na linha da política comunicacional do Governo Regional, divulgaram nos respetivos canais de comunicação qualquer informação.
RESULTADOS DESENCONTRADOS COM A REALIDADE
Tomás Melo publicou um artigo nas redes sociais onde chama a atenção para o desfasamento da informação sobre a qualidade da água da praia.
Este arquiteto, que se tem notabilizado na defesa do ambiente, sublinha o facto de, em face das mudanças do estado do tempo, a praia tão depressa ficar suja como limpa, o que pode significar que esteja em vigor uma interdição quando não se justifica; ou o contrário.
Defendeu, por isso, que se encontre uma solução que promova a eficácia dos procedimentos relativos à avaliação da qualidade da água de Porto Pim.
ALGA SEM CONTROLO
O Governo regional mandou fazer um estudo, envolvendo especialistas de vários campos do saber, para tentar resolver o quebra-cabeças em que se tornou a presença de algas, em volume inaudito, em zonas costeiras dos Açores.
Porto Pim é um desses locais.
Infelizmente, noticiou a RTP-Açores, «os investigadores continuam sem solução para controlar a alga invasora que tem provocado impactos nos ecossistemas costeiros com consequências para atividades como a pesca».


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