Horta de branco, ou de preto?

Souto Gonçalves
A experiência ensina-nos que nada, na vida, é preto, ou branco! No Liceu, o meu professor de desenho ensinou que o preto é a ausência da luz e o branco a sua presença, através da qual temos a perceção das cores.
Falando da perceção das coisas que cada um de nós tem, o espetro, tal como nas cores, não é preto ou branco, é muito variado.
Por alguma razão o povo diz: cada cabeça a sua sentença.
A expectativa gerada em torno da «Horta de Branco», por causa do anunciado novo figurino, que iria ser comparável com o que acontecera anteriormente, sobretudo por causa do êxito alcançado, criou um certo frenesim.
Houve quem se apressasse a vaticinar o insucesso perante o que observou nos dias antecedentes da festa. A decoração parecia pobre…
Eu, que sou lesto a criticar, reservei-me para depois. E aqui estou.
A organização a cargo de uma empresa local é uma medida indiscutivelmente acertada. Não sei se foi o preço que influenciou a decisão ou se foi um processo judicial que ocorre em São Miguel com o responsável da empresa contratada para realizar as edições anteriores. Acho, de qualquer maneira, que, se há no Faial quem faça, deve ser do Faial a organização do evento, desde que o custo não seja um exagero, nem se perca (muita) qualidade.
Quanto à pergunta que encima este texto, a minha resposta é: cinzento.
Como referi, o impacto das edições da Noite Branca foi tal que a fasquia subiu muito. Tornou-se quase impossível exceder, no que toca ao cenário, o que já foi feito. Portanto, desse ponto de vista, a «Horta de Branco» piorou.
No entanto, pelo que observei, a numerosa adesão e o espírito jovial com que os faialenses viveram a noite de ontem na sua cidade garantiu que o mais importante é isso mesmo: a alegria de uma comunidade em festa.
Resumindo: não se perdeu o objetivo da iniciativa.
Duas notas finais:
1) A Orquestra de Música Ligeira da Câmara Municipal da Horta pode tocar em qualquer palco dos Açores, de Portugal e lá fora. É um grupo que representa superiormente a nossa terra. Mas, se a intensidade do som que produz diminuísse ligeiramente seria ainda mais agradável escutá-la. Quando a vocalista pediu para o público se aproximar do palco «para ouvir melhor», eu afastei-me e consegui o que ela pretendia: o som agradou-me mais. Ou serei que já estou velho e, apesar de ouvir menos, não aguento tal energia?
2) O Facebook está cheio de críticos e eu sou responsável por engrossar esse número, mas, nunca ninguém me viu escrever que tinha direito à crítica sozinho. Há, porém, alguns críticos que se apressam, por tudo e por nada, a criticar quem critica e eu pergunto: esses não são também críticos? Ou querem o poder da crítica só para si? É que reparei nalguns comentários nas redes sociais censurando quem critica a festa e depois vai à festa! Tenho a certeza de que se os críticos da festa ficassem em casa iam ser acusados de estarem despeitados.

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