Horta, 193 anos: uma volta pela cidade
Ontem foi assinalado mais um aniversário da Horta. A esse propósito, soutoemlinha deu um passeio pela cidade com sentido de observação
O critério na escolha das fotografias que se seguem foi a falte dele; ou seja, autor desta publicação percorreu o Facebook, aleatoriamente, fazendo “download” de fotografias, de diversos autores, que lhe despertaram alguma atenção. Depois, acrescentou-lhes um texto, como legenda.
Ficam a faltar muitos aspetos da vida da cidade, mas não é possível falar de tudo. O que se dá à estampa é uma pequena achega, de natureza informativa, sobre o que é a cidade da Horta no momento presente, sob uma dupla perspetiva: visual (imagens) e crítica (textos).
NINA SIMÕES

Esta é, senão a mais bonita, talvez a mais fotografada perspetiva da cidade da Horta. O miradouro da Espalamaca também é um dos mais concorridos e populares da ilha do Faial. Quem está de visita, deslumbra-se; os autóctones, emocionam-se!
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A imagem mostra a Horta antiga, já com a doca construída (a obra terminou na primeira década do século XX) e com a igreja de Nossa Senhora da Conceição, cujas traseiras se destacam do casario, em 1.º plano, ainda de pé, antes, portanto, do terramoto de 1926 que a derrubou. O vapor confirma a importância atlântica do Porto da Horta
JOSÉ GABRIEL SILVA

Praia do Almoxarife. O mar revolta-se aqui com ventos desfavoráveis, mas, quando o tempo está de feição, não existem concorrentes à altura. Proporciona uma paisagem invejável e banhos em água cristalina
ANA LEMOS

Gerações de faialenses aprenderam as primeiras letras nesta escola. Quando já não oferecia condições acolheu algumas atividades municipais. Neste edifício funcionam, atualmente, uma extensão da Rede Integrada de Apoio ao Cidadão e a Delegação da Horta da RTP-Açores
FERNANDO SILVEIRA

Aerogare do Aeroporto da Horta e placa de estacionamento das aeronaves. É uma das principais infraestruturas da ilha do Faial. Nos últimos anos tem estado no centro das atenções da opinião pública por causa do aumento da pista, reivindicado como forma de melhorar a sua operacionalidade
JOÃO GARCIA

O ponto mais alto do Faial, o Cabeço Gordo (1.043 metros), e a borda da Caldeira (uma enorme cratera), são o vulcão principal da ilha e ponto obrigatório de visita turística, se bem que os faialenses, sempre que lá sobem, não deixam de se encantar com esta dádiva da natureza
ANA CASQUILHO

Flanco norte da baía de Porto Pim e costa sul do Faial. Com ventos favoráveis (de norte e leste) as suas águas têm a pureza que a imagem realça. É uma imensa piscina natural e segura. Infelizmente tem sido prejudicada pelo fenómeno mundial de contaminação por algas
ANA CASQUILHO

Ex-libris da freguesia da Ribeirinha, o farol tornou-se, também, o ex-libris do terramoto de 9 de julho de 1998, cujo epicentro se situou a pouca distância desta robusta construção. Permanece, dilacerado, como testemunho da catástrofe
BOTE SENHORA DA GUIAA

A caça à baleia terminou nos Açores na década de 80 do século passado. A partir daí floresceu a observação de baleias com fins turísticos. Mais tarde deu-se início a um processo de recuperação do património baleeiro. Reconstruídos, os botes são, hoje, uma das tradições mais bem preservadas, através, nomeadamente, da competição desportiva, em que o Faial pontifica
MANUEL CLARIMUNDO

É o monumento dos Açores com a maior fachada, o Colégio dos Jesuítas da Horta. Implantado no coração da cidade, está em destaque na imagem o frontispício da igreja do Santíssimo Salvador. Ali funcionam os serviços de natureza administrativa do Município da Horta e o Museu da Horta
MANUEL CLARIMUNDO

O largo central da cidade recebeu o nome do Duque de Ávila e Bolama, António José de Ávila, que chegou a presidente do Conselho de Ministros. Zona comercial por excelência, persistem ali antigas lojas como a Casa das Casimiras, a Ourivesaria Olímpio, a Casa das Meias, a Boutique Tráváq e a Pastelaria Ideal. Os Correios encontram-se no também designado Largo da Matriz, bem como as Finanças, que ocuparam o edifício da Esquadra da PSP. As “Torrinhas”, uma das mais belas casas da Horta, tornou-se uma pecha no panorama arquitetónico da cidade devido à longa espera por uma reconstrução
HÉLIO SANTOS

O castelo de São Sebastião (na imagem), juntamente com o reduto da patrulha, a bombardeira e a guarita, são peças do complexo defensivo que, no passado, protegeu a baía de Porto Pim
GRUPO FOLCLÓRICO E ETNOGRÁFICO DE PEDRO MIGUEL

Montada pelo Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel, a casa etnográfica, situada naquela freguesia, é um testemunho real das tradições populares da ilha do Faial
UBAR HORTA

A esplanada do bar do Clube Naval da Horta (na imagem), em conjunto com as do Peter Café Sport, Café Volga e Café Internacional — todas elas ricas de estórias da vivência cosmopolita hortense —, são lugares privilegiados da frente marítima da Horta para contemplar a versátil paisagem oferecida pela Montanha do Pico
JORGE ÁVILA

As fachadas da Matriz da Horta e da igreja do Carmo (na imagem) são duas marcas distintas do rosto da Horta voltado ao mar, imprimindo à cidade identidade e peculiaridade. Nesta fotografia, o primeiro plano contrasta com o segundo, num diálogo entre presente e passado. O demolido, antes de inaugurado, parque de estacionamento da Rua de São João transformar-se-á em bloco habitacional, epílogo de uma polémica sobre gestão municipal.
JORGE ÁVILA

Com a instituição da Autonomia constitucional da Região, a Horta, capital de distrito até então, passou a ser a sede do principal órgão de governo próprio dos Açores. O Amor da Pátria, a Casa do Relógio da Colónia Alemã e um pré-fabricado nas suas traseiras, em regime provisório, abriram caminho para a construção do edifício definitivo próprio da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Dizem as más-línguas que, uma construção de raiz com finalidade definida, foi a maneira de os micaelenses não se apropriarem da sede do parlamento açoriano
MANUEL CLARIMUNDO

Existem muitas queixas sobre a deterioração do património edificado da cidade da Horta. Contrariam as críticas as duas casas históricas desta imagem. À direita, onde, há 500 anos, existiu o primeiro hospital da Misericórdia, hoje continua de porta aberta, renovada, a Mercearia Silva, provavelmente o estabelecimento do género mais antigo do Faial. Ao primeiro proprietário, popularmente conhecido por “Mergulha Feijão”, sucedeu um seu empregado, cujo filho, Paulo Silva, mantém a atividade. Em destaque encontra-se a futura sede da agência de viagens Novo Rumo, responsável pela feliz reabilitação desta belíssima peça da arquitetura hortense
MANUEL CLARIMUNDO

A Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo incorporou a velha “Caixa Operária” e enriqueceu, sobremaneira, o património edificado da cidade ao requalificar o edifício onde hoje funciona a sucursal deste banco terceirense
ROLANDO PEREIRA

O primeiro hotel de 5 estrelas do Faial está prestes a abrir. Chama-se «Book» (livro) em referência à famosa biblioteca, desaparecida, da Sociedade Literária Artista Faialense (Grémio Artista) que ocupou o mesmo edifício como uma das suas sedes. A cidade ganha vida com este investimento, ficando a faltar a conclusão da requalificação urbana do Largo do Bispo
MANUEL CLARIMUNDO

Com o terramoto de 1926 a Horta perdeu a igreja de Nossa Senhora da Conceição, um, entre um conjunto de templos de considerável dimensão existente na cidade, de que restam as igrejas do Santíssimo Salvador (Matriz), do Carmo, e de Nossa Senhora do Rosário (convento de São Francisco). Da História fazem parte as igrejas da Misericórdia, antiga Matriz (a Torre do Relógio pertencia-lhe), e as igrejas dos conventos da Glória (Praça da República), de São João (Jardim Florêncio Terra — Jardim Público) e de Santo António (Casa de Infância de Santo António). De estilo “Art Déco” a nova igreja da Conceição tomou o lugar da antiga e nela vive a memória, através do nome do largo em frente, do carismático Padre Silvestre, pároco durante largo tempo. À direita na imagem (casa cor-de-rosa) a sede da Sociedade Filarmónica Arista Faialense, a mais antiga do Faial
JORGE ÁVILA

As “pinturas da doca”, assim denominadas pela voz popular, são feitas pelos “aventureiros” (iatistas) que aportam à Horta, ameaçados pela maldição de que, se não deixarem a sua marca, algum mal lhes acontecerá no meio do mar. Com a muralha da “doca velha” e das paredes e do chão da marina preenchidos, qualquer lugar serve para, pelo sim pelo não, não desprezar a superstição, neste caso, uma parede lateral da cada vez mais decrépita sede do Clube Naval
ROLANDO MEDEIROS

O “posto meteorológico”, oficialmente Observatório Meteorológico Príncipe Alberto de Mónaco, no cimo do peculiarmente designado Monte das Moças, é uma sentinela do tempo, que empresta ao cenário da cidade um elegante e solitário traço arquitetónico. Ainda recentemente disseram que tarda a pintura que merece
FOTOGRAFIA PUBLICADA NO FACEBOOK POR FRANK LEAL

Igreja de Nossa Senhora das Angústias, onde se realiza a maior festa religiosa do Faial, e onde paroquiaram os monsenhores Silveira de Medeiros, havendo quem o venere como santo, e Júlio da Rosa, personalidade das mais distintas na cultura faialense e açoriana
FOTOGRAFIA PUBLICADA NO FACEBOOK sem AUTOR PATENTE

Largo Manuel de Arriaga, já sem a estátua que lhe deu o nome, agora implantada na avenida marginal. Continua a reclamar requalificação, transformado que está em estaleiro de reparação naval, à beira de um hotel, entretanto ali construído.
HÉLIO SANTOS

A aprazível zona balnear da Feteira, cujo porto, praticamente desativado para a pesca, é um orgulho da população local, que reclama melhorias, para complementar o parque de merendas existente. Fala-se na construção de uma piscina, alternativa forte às outras zonas balneares da ilha, em face da proximidade da cidade. Engloba a celebérrima Poça da Rainha
FILIPE GONÇALVES

A Horta é bonita de todos os lados. Deslumbrante ante os que se aproximam de frente para ela, mas, igualmente fascinante vista de costas. A omnipresença do Pico é um elemento que, a não existir, faria da cidade um lugar comum
JOSÉ MACEDO

Esta fotografia resume três das principais atividades do Porto da Horta: iatismo internacional; regatas à vela; apoio à manobrabilidade dos navios.
manuel clarimundo

Tribunal da Horta, no topo norte da Avenida 25 de Abril, à ilharga do novo Terminal Marítimo de passageiros, que veio dinamizar esta zona da cidade
ROLANDO PEREIRA

O Jardim Florêncio Terra, conhecido como Jardim Público, destaca-se das outras zonas verdes da cidade por apresentar-se com um certo ar romântico. Tem sido palco, ultimamente, de algumas iniciativas culturais da Junta de Freguesia da Matriz. Fica defronte das instalações do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, onde funcionou o Hospital Walter Bensaude, estabelecimento de saúde em cuja maternidade nasceu grande parte dos faialenses ainda vivos

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