EFEMÉRIDE
Construção do Porto da Horta começou há 150 anos
O reordenamento do Porto, imposto pelas exigências operacionais que advieram do seu próprio desenvolvimento, não tem ficado isento de polémicas
A construção do Porto da Horta foi iniciada no dia 20 de março de 1876, faz hoje 150 anos. A efeméride foi assinalada pelo Museu da Horta com um convite à população para visitar a exposição permanente denominada «Porto da Horta» que está patente no Colégio dos Jesuítas.
O Porto da Horta é dos mais importantes dos Açores e do País em resultado do seu posicionamento no Atlântico Norte e das condições de abrigo que a Natureza criou, e «é muito mais do que uma infraestrutura portuária: faz parte da forma de viver dos faialenses», escreveu João Garcia, a 5 de março último, num artigo publicado no jornal Incentivo (“online”) e, posteriormente, no Assim c’má Sim Blog.
Depois de notar que «desconhece-se qualquer programa público destinado a assinalar esta data por parte das entidades competentes», João Garcia afirma que, se se confirmar a inexistência de alguma iniciativa comemorativa, «ficará demonstrada uma preocupante desatenção à memória coletiva e ao papel estratégico que o Porto da Horta desempenhou ao longo de século e meio». E conclui: «Não surpreenderá, mas confirmará uma tendência recorrente de secundarização, essa sim reconhecida infelizmente.»
PROTAGONISTA DA HISTÓRIA MUNDIAL
O Porto da Horta foi protagonista de momentos ligados ao curso da história mundial, como, entre outros, a navegação marítima a vapor, a baleação, a travessia aérea transatlântica, as comunicações por cabo submarino e o iatismo, sem esquecer, no plano doméstico, a pesca e a cabotagem.
O movimento crescente da vela de cruzeiro “obrigou” à construção da marina, entretanto ampliada, o que consolidou a projeção internacional do Porto e dinamizou vários sectores da economia local.
O reordenamento do Porto da Horta, imposto pelas exigências operacionais que advieram do seu próprio desenvolvimento, não tem ficado isento de polémicas.
A marina foi contestada, na década de 80 do século passado, por uns, que achavam a obra desnecessária, ou, até, comprometedora da operacionalidade da ampla e abrigada baía; e por outros, que a queriam maior, a entroncar no Canto Dona Joana.
Já em plena segunda década do novo milénio o complexo constituído pelo Terminal Marítimo de passageiros e um novo cais, construído junto à praia da Conceição, mereceu o epíteto de “Portas da Ribeira”, numa irónica e depreciativa alusão às faraónicas Portas do Mar edificadas em Ponta Delgada.
O Governo tinha prometido uma montanha, que pariu um rato!
PROJETO EM ÁGUAS DE BACALHAU
Recentemente o Porto voltou à discussão pública por causa de um projeto que incluía, nomeadamente, a ampliação da marina, a eliminação do “cotovelo” do cais comercial, o reordenamento do sector da pesca e obras em terra, com destaque para um parque invernagem e a sede do Clube Naval.
Tudo está, no entanto, em águas de bacalhau!
A deterioração das condições de tranquilidade do espelho de água no interior do Porto (há quem afiance que tal é mais do que óbvio, havendo quem diga que, com mau tempo, já era assim) resultantes da obra a norte da baía (terminal e cais), travaram o avanço das obras, e a agitação das águas passou para o debate político.
Daí ao imobilismo foi um passo. Já ninguém fala do reordenamento do Porto da Horta. Por isso, oportuno é o alerta de João Garcia, nos 150 anos do início da obra: «A memória não é apenas evocação do passado, é exigência de futuro. E quem recebe a confiança do voto recebe igualmente a responsabilidade de agir, planear e responder.»


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