CONCORDÂNCIA E SUBMISSÃO

Nos últimos dias li três textos no Facebook, sobre acessibilidades aéreas no Faial e no Pico, que me chamaram a atenção, que me fizeram pensar, e que aqui exponho, procurando contribuir, ainda que por interpostas pessoas, para uma reflexão.
Daniel Rosa escreveu que «os Açores têm um polo, São Miguel, que representa cerca de três milhões de dormidas; depois têm a Terceira com quinhentos e poucos mil; depois o Pico, Faial, São Jorge, que juntos têm seiscentos e tal mil; ou seja, neste momento, o chamado Triângulo, em dormidas, é o segundo polo mais atrativo» do arquipélago.
Partindo desta constatação, Daniel Rosa interroga-se:
«Por que será que na BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa) os nossos governantes e as suas companhias aéreas em vez de lançarem uma rota Terceira – Funchal, quando já temos uma Ponta Delgada – Funchal, que ainda não está consolidada, mas está a crescer, não lançaram uma rota Triângulo (Faial ou Pico) – Porto, que é um desejo e um pedido feito há muito tempo?»
A pergunta é, sem dúvida, pertinente.
Também sobre o que se passou na BTL, Diogo Duarte realça o que considera uma «feira das vaidades» perante o contraste entre o anúncio da nova rota Terceira – Funchal e a realidade faialense.
Lembra «um verão com imensos constrangimentos a nível de carga e bagagem, em que mais uma vez a oferta não correspondeu às expectativas»; recorda a reivindicação não satisfeita de uma ligação com o Porto, tal como Daniel Rosa, e espeta um profundo alfinete num «Faial concordante e submisso» a um presidente do Governo Regional que, «em tom de gozo», desmentiu (disse que não recebeu nenhum pedido de audiência do Conselho de Ilha) um órgão desta ilha!
Por fim, Devin Gomes, chama a atenção para as consequências da saída da Ryanair dos Açores.
«Que efeitos terá esta decisão nas ligações ao exterior, sobretudo para ilhas como o Faial e o Pico, já tradicionalmente pressionadas e com limitações em época alta?» pergunta Devin Gomes, fazendo uma realista antevisão: «Perante a necessidade previsível de a Azores Airlines reforçar as ligações a São Miguel para compensar a ausência da Ryanair, é fácil antecipar quem suportará o maior custo desta reorganização».
Sem polémicas, sem estados de alma, sem “clubismos”, aqui ficam motivos para nos preocuparmos seriamente.


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