Os meus amigos do Facebook têm dado uma especial atenção ao que vou publicando sobre a minha experiência musical.
O último vídeo já recebeu mais de 160 reações e seis centenas de comentários, o que para mim é muito, embora para certas vedetas das redes sociais seja uma ninharia.
Não posso deixar de notar que, nos comentários, todos tiveram a delicadeza de não realçar a pobreza do meu desempenho, deixando, pelo contrário, palavras de incentivo.
O ilustríssimo Maestro Manuel Azevedo foi generoso e subliminar ao apreciar a minha interpretação: «O Menino Jesus faz milagres!»
Um antigo companheiro de jornadas políticas optou pela sátira: «Este instrumento tem uma grande vantagem para os que não gostem dos teus comentários… ficas com boca e a mão direita ocupadas.»
Nesta chuvosa tarde do último sábado de dezembro, num encontro fortuito o assunto voltou à baila.
Um velho conhecido meu, cuja firmeza da nossa amizade é inquestionável, perguntou-me:
— Como é que vai a aprendizagem do trombone?
Estiquei o braço, e fiz aquele gesto de abrir e oscilar a mão, como quem diz «mais ou menos…»
— Então — atalhou o meu amigo — já podes enxotar melros!
Meu irmão estava à minha frente e lembrou-se:
Havia um tocador da Euterpe que, quando novo, levando o instrumento para casa, ia ensaiar junto às terras de trigo, precisamente para espantar os melros.
Portanto, meus caros amigos, se não vier a tocar na filarmónica, não darei por mal empregue, de futuro, esta minha dedicação ao trombone, pois os melros têm-me comido os figos todos no verão!




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