Padres no Faial: renovação total | fotografia com direitos reservados
Incompatibilidades ditam entradas e saídas
O bispo de Angra dará posse aos cinco novos párocos da Ouvidoria da Horta no sábado, 27 de setembro, na Matriz, pelas 19 horas.
As paróquias da Matriz e Conceição ficarão a cargo de António Saldanha, que tem o título de monsenhor e é cónego, pertencendo, por isso, ao cabido da Sé. Vem de Roma, onde trabalhou no Dicastério das Causas dos Santos, regressando “a casa”, pois já paroquiou na Matriz, tendo ali despertado, na juventude, para a vocação sacerdotal.
Marco Martinho, “discípulo” do inesquecível monsenhor Júlio da Rosa, passará a ser o pároco das Angústias, onde nasceu, bem como dos Flamengos. Atravessa o Canal, após uma longa e marcante presença na “fronteira” do Pico, nas paróquias da Madalena e de São Mateus. Foi reitor do Santuário do Bom Jesus.
O feteirense Rui Pedro Soares regressa à ilha natal para se ocupar das paróquias do Salão, Cedros e Praia do Norte, procedente da Ouvidoria da Lagoa, em São Miguel. Com António Saldanha e Marco Martinho completa um conjunto dos três padres que passarão a exercer o seu múnus na terra que os viu nascer.
Roberto Cabral e Marcos Miranda deixam as Ouvidorias da Ribeira Grande (São Miguel) e Angra do Heroísmo, respetivamente, encarregando-se da Praia do Almoxarife, Pedro Miguel e Ribeirinha, o primeiro; e Feteira, Castelo Branco e Capelo, o segundo.
Note-se a particularidade de estes párocos agora terem sido colocados em paróquias geograficamente contíguas, o que antes não acontecia.
As nomeações do prelado diocesano, Armando Domingues, que ocorrem, ordinariamente, antes do início de cada Ano Pastoral, promoveram, no caso do Faial, uma substituição total, ou seja, não houve reconduções.
Partiram Bruno Esteves Rodrigues, Fábio Carvalho, Marco Gomes e Paulo Silva. Ficou Raimundo Bulcão Duarte, na condição de emérito, que já tinha, mas participante ativo na vida da Igreja faialense.
Nas últimas semanas e nos próximos dias foram e serão diversas as manifestações de apreço por estes sacerdotes que prestaram serviço na Ouvidoria da Horta. As comunidades a que pertenceram realizaram e vão ainda realizar celebrações eucarísticas e convívios em sinal de gratidão.
Revolução
Talvez a palavra revolução seja exagerada para definir a renovação total do clero faialense, operada através da substituição de todos os padres, mas, na verdade, se tal decisão do bispo não é inédita poucas vezes terá ocorrido nesta ilha.
As gerações mais antigas e ainda vivas lembrar-se-ão de sacerdotes que permaneceram em paróquias da Ouvidoria da Horta tempos infinitos, à cabeça dos quais está o “padre Júlio”, popularmente assim tratado. A sua única paróquia foi as Angústias. O “padre Fortuna”, deste modo conhecido também pelo povo, manteve-se também longo tempo na mesma paróquia. Outros nomes ficaram na memória dos paroquianos e dos fiéis por toda a ilha, devido à longevidade nos cargos e a características que os diferenciavam entre si, tendo embora em comum o carisma que os afirmou como líderes locais: o “padre Silvestre”, o “padre Cardoso”, o “padre Correia”, o “padre Silveira Pereira”, o “padre Rosa Pereira”, o “padre Xavier”, o “padre Escobar”, o “padre Genuíno”, o “padre Henrique”, o “padre Alvernaz”.
Como é habitual, houve reações a este último movimento, anunciado pela Diocese no início de julho.
Também como é costume, as razões que ditam as colocações dos padres ficam pelas sacristias, nunca se sabendo, ao certo, as motivações de quem as ordena.
No que diz respeito ao que acontece em 2025 poder-se-á dizer que a distribuição de lugares foi uma conjugação de saídas com entradas, que atendeu à existência de algumas incompatibilidades; isto é, se alguém ficasse, alguém não vinha; ou, por outras palavras, que dão no mesmo: se alguém viesse, alguém não ficava.
Em causa não estarão questões doutrinárias de fundo, antes assuntos de ordem pastoral.
A conviverem na mesma Ouvidoria conservadores e progressistas poderia dar-se o choque, por exemplo, na forma de encarar o problema do casamento e a sua indissolubilidade; ou na maneira de celebrar alguns sacramentos.
Terá prevalecido a corrente ortodoxa.



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