Retomar um projeto

Souto inquieto pretende «fazer o relato da dinâmica da sociedade faialense, através da observação e análise dos acontecimentos que ocorrem na ilha» | fotografia com direitos reservados
Caríssimos leitores,
O meu portal soutoemlinha funciona como um laboratório em que tenho experimentado diversas ideias no campo da escrita e do grafismo, dois aspectos da atividade jornalística que me apaixonam. Tive a sorte de trabalhar nesses campos enquanto permaneci ligado à imprensa e, agora, que já não tenho obrigações profissionais como jornalista, arranjei maneira de, através deste portal (ou blogue), continuar envolvido em tais experiências. Os meus camaradas de profissão lutavam contra a minha inconstância, pois queriam manter os projetos concebidos, e com razão o faziam, porque importava consolidá-los. Mas, eu queria sempre alterar frequentemente o que tinha ficado combinado…
Hoje sou eu que luto comigo próprio para assentar ideias, talvez por causa do natural avanço da idade. Quem possa, eventualmente, acompanhar soutoemlinha ter-se-á apercebido de que tal esforço, afinal, não dá resultado.
Como este portal tem um caráter pessoal sinto liberdade para continuar a devanear.
Posto este desabafo, em jeito de explicação, retomo, com alterações, o souto inquieto, na linha do qua atrás referi.
Sou do tempo em que os jornais do Faial ainda respiravam o ar da velha imprensa e confronto-me, hoje, com as novas tecnologias, que revolucionaram tudo na Comunicação Social.
Vejo, no antes e no agora, qualidades da imprensa local que se podem conciliar: a proximidade, característica do jornalismo do século passado, e a facilidade de acesso ao público, proporcionada pela Internet atualmente.
Um NOVO JORNAL VELHO é o subtítulo deste souto inquieto, através do qual quero fazer reviver, usando as novas tecnologias de informação e comunicação (TIC), o estilo próprio da antiga imprensa, em que o sentir da comunidade a que se dirigia tinha expressão nas páginas dos jornais desse tempo.
Souto inquieto, além de refletir a inquietação do autor perante o que o rodeia, levando a interrogações e reflexões, pretende, também, fazer o relato da dinâmica da sociedade faialense, através da observação e análise dos acontecimentos que ocorrem na ilha.
Portanto, souto inquieto, elaborado embora nesta plataforma moderna que se chama Internet, é um jornal, como diria Tomás Rocha, «à antiga faialense», expressão que complementa a epígrafe «um novo jornal velho».
Para já e para mim é uma maneira, em conjunto com o tudo o que publico em soutoemlinha, de fazer jornalismo, atividade de que não consigo desligar-me.
Há festa todos os dias!

Festival Maravilha, no Largo do Infante, em junho de 2025 | fotografia de Festival Maravilha
Passando os olhos, de alto a baixo, pelos acontecimentos agendados em FAIAL TODOS OS DIAS, espaço informativo deste portal soutoemlinha — com o subtítulo, algo presunçoso, «se acontece sabe-se aqui» —, pode-se verificar que, desde há semanas e até setembro, não há dia nenhum (com uma ou duas exceções) em que não esteja prevista a realização de, no mínimo, um evento na nossa ilha. Nos fins de semana, então, há uma sobreposição de atividades digna de nota!
Ora, tudo isto é indicativo de que o Faial, neste aspecto, não está acomodado, nanja noutras situações, que os faialenses deixam passar-lhes ao lado — mas essas são contas de outro rosário…
Cultura e diversão constituem o “programa” do verão em curso, destacando-se também provas desportivas e festas religiosas e outras de outros tipos. O denominador comum são os comes e bebes, nunca faltando os “bons petiscos”, que, diga-se em abono da verdade, são mesmo bons nalguns casos, noutros nem tanto.
Repetindo: pelo menos até setembro, quem quiser sair de casa quase todos os dias tem onde se ocupar, divertir e cultivar.
Até a política, que seria normal aparecer em força, a três meses de umas eleições autárquicas, está mais ou menos arredia.
Não ha´ muitos anos cramava-se, pelo Faial, que a nossa sociedade estava em perda, nomeadamente no plano cultural, por falta de iniciativa. A tendência para o desaparecimento de tradições preocupava.
Hoje temos um Faial que recupera tradições, como, por exemplo, os bailes de chamarrita, que voltaram a vulgarizar-se.
Culturalmente, o facto de hoje, nesta ilha, viver um número significativo de estrangeiros e de outras pessoas oriundas do exterior, que aqui se estabeleceram e exercem a sua profissão, funciona como locomotiva, puxando pelos valores locais, o que leva a crer que se vive uma época comparável, embora diferente, como é óbvio, ao tempo em que duas, três ou quatro gerações anteriores fizeram desta terra uma referência cultural.
INATEL anima Largo do Infante e recupera convívio da sala de visitas da Horta

Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel atuando no Largo do Infante, ao fim da tarde de quinta-feira, 17 de julho de 2025. Também marcou presença o Grupo Folclórico e Etnográfico de Castelo Branco | fotografia extraída de um vídeo de Carlos Amaral
«Noites de Verão» é a designação do programa de animação cultural que a Delegação da Horta da Fundação INATEL promove, em julho, agosto e setembro, às quintas-feiras, e quartas-feiras, por vezes, no Largo do Infante, com filarmónicas e grupos folclóricos e musicais.
A iniciativa vem-se repetindo há alguns anos e tem o condão de atrair espetadores à praça que muitos apelidam de sala de visitas da Horta. O aglomerado que ali acontece faz lembrar os fins de tarde e noites de há uns anos, no verão, quando o Largo se enchia de gente, pelos bancos e passeios, e no muro, à beira-mar, ainda sem a marina.
Nessa altura, a festa era o simples convívio dos faialenses, com rapaziada a correr de bicicleta ou em jogos tradicionais como a “apanhada”, a “cabra cega” ou o “qui-qui-já”. As cavaqueiras dos adultos prolongavam-se pelas horas tardias e quentes dos meses do estio. Os faialenses estabelecidos fora da ilha, em gozo de férias, vinham proporcionar reencontros prazenteiros. E havia namoros também!
Uma certa elite hortense fazia gala desta reunião diária, em que era obrigatório participar, fazendo do Largo do Infante um lugar eivado de alguma distinção.
As «Noites de Verão» da Fundação Inatel, organizadas, até agora, por Carlos Fontes, proporcionaram, neste ano, a primeira grande aparição pública do novo responsável pela instituição na Horta, André Ferreira, que teve direito a entrevista, transmitida no Facebook pelo “freelancer” Carlos Amaral.
Mais um mural pintado no Faial
Vai ser inaugurado neste sábado, 19 de julho de 2025, pelas 17 horas, um mural, pintado na empena e na parede lateral da última casa, do lado do mar, da primeira fiada de moradias voltadas para oeste, do Bairro do Hospital, nas Angústias, .
A iniciativa acontece no âmbito do Festival Maravilha, apoiada pela Câmara Municipal da Horta (CMH) e pela Associação de Turismo Sustentável do Faial (ATSF).
A obra é do ilustrador e pintor Oaktree e «presta homenagem à identidade marítima do Faial, com elementos que evocam o fundo do mar, a fauna oceânica e a tradição náutica», lê-se numa nota informativa do Município da Horta.
Segundo a mesma nota estarão disponíveis na Espalamaca, Porto Pim, Marina da Horta e porto do Salão obras do artista plástico italiano Fulvio Capurso.
No Faial já existem murais na casa dos botes dos Capelinhos, no sopé do Monte Queimado, na Rua Vasco da Gama, no Bairro do Fundo de Fomento de Habitação e no porto de Pedro Miguel.
Título impresso
«Países terão de criar novos impostos para pagar o próximo orçamento da União Europeia»
Diário de Notícias
Com o dedo na ferida
«Fica agora bem claro onde estão os buracos negros do Grupo SATA.»
Devin Gomes, Facebook, sobre as rotas que contribuíram para os resultados negativos da SATA, referidas pelo Governo Regional, e onde não consta a rota Lisboa — Horta — Lisboa
CRÓNICA FAIALENSE
FALECIMENTO DE JOSÉ MARTINHO
Faleceu, na passada quarta-feira, 16 de julho de 2025, José Matos Martinho, aos 74 anos de idade. Tinha nascido a 14 de dezembro de 1950. Foi a enterrar no dia seguinte ao seu passamento, após missa de corpo presente na igreja de Nossa Senhora das Angústias.
A morte de José Martinho motivou diversas reações na rede social Facebook, traduzindo quão estimado era na sociedade faialense. A sua permanente simpatia e a popularidade adquirida junto dos clientes do também popular Café Volga, onde foi um dos mais emblemáticos empregados, fizeram dele uma pessoa muito estimada.
As palavras de conforto estenderam-se à família, nomeadamente ao seu filho, o padre Marco Martinho, que está a celebrar a sua última festa de Santa Madalena, na ilha do Pico, como pároco, visto que será transferido para as paróquias das Angústias, de onde é natural, e Flamengos, na Ouvidoria da Horta.
AMANHÃ
Como vem sendo habitual, o fim de semana avizinha-se muito preenchido com múltiplas atividades na ilha do Faial. Amanhã, sábado, 19 de julho de 2025, prossegue o Festival Maravilha, que, depois de ter acontecido em terra, agora é no mar.
O Clube Naval da Horta (CNH) organiza mais uma prova do Campeonato de Pesca Desportiva, desta feita pesca de fundo, de barco.
Mesmo defronte da Horta, onde estão a decorrer as festas da Madalena, realiza-se a regata de Santa Maria Madalena de vela de cruzeiro.
Entre as 10 e as 19 horas o Conservatório Regional da Horta promove uma formação em canto.
Pelas 15 horas inicia-se uma regata de botes baleeiros (Regata do Comprido), primeiro evento do programa da festa de Santa Ana, no Capelo, que prossegue na quarta-feira, 23 de julho.
Nos Espalhafatos, Ribeirinha, continuam a festividades em honra de Santo António e tem início o Império da Rua da Conceição.
Os programas e horários de todos estes acontecimentos estão em FAIAL TODOS OS DIAS.
PITORESCA E COSMOPOLITA
A Horta segue pitoresca e cosmopolita. A cidade está cheia de turistas! «Eles são c’ma milho», observou ao autor deste portal um transeunte, daqueles mais antigos e já muito raros, que descem uma vez por semana à cidade, vindos do campo.
«Eles», os turistas, a bordo da viatura do autor deste portal, em regime de boleia, à passagem por Porto Pim, desvio alternativo para evitar a Variante e mostrar a Ponta Furada e a Lajinha, exclamam, em linguagem universal: «Ooohhh!»




COMENTAR