Alonso Miguel: Porto Pim é «elemento paisagístico central da cidade da Horta» | fotografia do Governo dos Açores
Inauguração é pretexto para fogo cruzado pré-eleitoral
O Governo Regional inaugurou a Requalificação do Complexo de Infraestruturas de Porto Pim, numa cerimónia que decorreu na terça-feira, 8 de julho de 2025. Porto Pim fora atingido e danificado pelo furacão Lorenzo na quarta-feira, 2 de outubro de 2019.
As obras custaram 800 mil euros e caracterizaram-se, segundo o secretário regional do Ambiente e Ação Climática (SRAAC), por «uma intervenção multifacetada», que abrangeu o paredão da orla costeira, os balneários e as instalações sanitárias e o Aquário de Porto Pim.
Alonso Miguel disse, na ocasião, que o investimento em causa valoriza a Baía de Porto Pim, «elemento paisagístico central da cidade da Horta, relevante na vida dos Faialenses e para quem nos visita, enquanto local recreativo e turístico, com acentuado valor histórico, cultural e natural».
Como é hábito, o momento foi aproveitado para obter efeitos políticos. Com a aproximação de um ato eleitoral intensificam-se as alusões às obras feitas ou em curso. Presente na cerimónia, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas (SRTMI) não se eximiu dessa tarefa, extravasando, até, o âmbito da inauguração. Berta Cabral sublinhou que «está em curso um grande volume de investimento, em várias obras, com destaque para o circuito logístico da variante à cidade da Horta, a maior obra de sempre na rede viária desta ilha», lembrando também a Escola Manuel de Arriaga, o Tecnopolo Martec, a habitação e o Hospital da Horta.
Na mesma linha, o presidente da Câmara Municipal da Horta, usando, igualmente, da palavra, defendeu que «importa agora fazer uma apresentação pública do projeto de proteção da orla costeira, entre o Castelo de São Sebastião e o Reduto da Patrulha».
Num registo ainda mais politizado do que os anteriores, Carlos Ferreira afirmou que «há um período para dialogar, um momento para decidir, e uma ordem para executar! Só assim é possível avançar e promover o nosso desenvolvimento».
PS “tocado”
Palavras não eram ditas e o antigo chefe de gabinete de Álamo Meneses, que sobraçou a pasta do Ambiente em governos regionais socialistas, manifestou-se, nas redes sociais, disposto a não «permitir que se passe entre os pingos da chuva tentando tapar o que muitos fizeram!»
A reação é de João Pedro Garcia, “tocado” por não ter ouvido referências à obra socialista em Porto Pim.
«Quando esquecemos quem fez o Aquário de Porto Pim, quem reergueu toda aquela zona, com a construção do muro ao longo da orla, a abertura de vias pedonais, a requalificação de trilhos, a colocação dos passadiços de acesso à praia, a recuperação da Casa dos Dabneys, da Fábrica da Baleia, e toda a requalificação do Monte da Guia e damos mais importância à inauguração de uma recuperação de parte do muro e da reconstrução dos estragos provocados por uma tempestade que aconteceu há seis anos é de lamentar», escreveu João Garcia no Facebook, três dias depois da cerimónia.
«Não é justo e não é correto querer passar uma borracha no passado por razões politicas», realçou este antigo chefe de gabinete dos presidentes da Câmara Municipal da Horta e da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
A verdade, porém, é que são razões políticas que animam ambas as barricadas neste combate político que ameaça recrudescer nas próximas semanas.
Rui Santos, personalidade socialista local e regional, complementou o “post” de João Garcia escrevendo, no espaço de comentário, que «muitos querem apagar o passado, mas não vão conseguir porque até agora nada de novo fizeram a não ser dar continuidade aos projetos que o PS candidatou ao PRR e que sistematicamente escondem nos seus discursos populistas».

Escrito por José Manuel Souto Gonçalves



COMENTAR