Ribeirinha, Faial, 9 de julho de 1998 | fotografia de Souto Gonçalves
Hoje é dia de recordar o último grande sismo que abalou esta ilha
À passagem do 15.º aniversário (no ano de 2013) do sismo de 9 de julho de 1998, sentido, principalmente, no Faial, mas também no Pico, e ainda noutras ilhas, o autor desta notícia apresentou, em Castelo Branco, freguesia da sua residência e uma das que foi afetada pelo terramoto, uma exposição fotográfica, intitulada «O Faial ruiu», com três dezenas de imagens captadas na manhã de tão nefasta ocorrência..
A acompanhar a exposição foi publicado um folheto do qual se transcreve as passagens seguintes, para assinalar a data, 27 anos depois:
Após a agonia e o sobressalto as pessoas começaram a cair na desolação. O céu tingido de um azul imenso e o sol imperturbável e escaldante realçavam o ventre esfacelado do basalto que rolou para o caminho.
Numa volta à ilha dolorosa, cada curva, cada lomba, cada casa, cada rosto confirmavam que nascera antes da alvorada um dos mais trágicos dias da história humana e física do Faial.
Com uma câmara fotográfica a tiracolo captei, poucas horas depois do relógio ter passado pelo minuto 19 das 5 da manhã de 9 de julho de 1998, as imagens de uma ilha dilacerada, incrédula, de braços caídos.
Hoje, 9 de julho de 2025, o céu está, curiosamente, «tingido de um azul imenso» e o sol mostra-se «imperturbável e escaldante». A natureza parece associar-se ao sentimento que perdura na alma dos faialenses.

Escrito por José Manuel Souto Gonçalves



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