
Escrito às 13h57
por José Manuel Souto Gonçalves
Fui contactado pelo Partido Socialista para me encontrar com o candidato a deputado à Assembleia da República Hugo Pacheco no âmbito da atividade empresarial que exerço através da empresa de que sou coproprietário.
Declinei o pedido, apesar da maior consideração pessoal que tenho pelo candidato em causa, nos seguintes termos e em nome da empresa: «Não vislumbramos qualquer interesse prático no encontro proposto, além de que existe, da nossa parte, algum desencanto relativamente à atividade política, o que tornaria a reunião, supomos, num momento pouco agradável, e, ainda menos, útil. Longe de nós pôr em causa as vossas melhores intenções, porém, acreditamos que é preciso contribuir para travar a degradação política das instituições e dos seus protagonistas, por isso queremos aproveitar todas as ocasiões para fazê-lo e a nossa recusa corresponde, em forma de alerta, a esse desejo.»
Por que será que o interesse dos partidos em auscultar as empresas só ocorre nas vésperas das eleições?
Claro que esta pergunta tem uma resposta óbvia.
(Ainda recentemente os empresários do Faial se queixaram do Município, depois de, em campanha eleitoral, ter sido prometido um gabinete de apoio).
Desde que estou envolvido no meu empreendimento turístico já recebi várias visitas políticas, de mais do que um partido, e todas elas, salvo alguma que me tenha escapado à memória, foram em momentos pré-eleitorais.
Por maior que seja a boa vontade e a boa educação de quem recebe é fastidioso repetir este tipo de encontros.
Admito, porém, que já esgotei a minha paciência e aceito que me acusem de já ter batido às portas levando aqueles papelinhos coloridos com fotografias aos quadradinhos.
Apreciaria sobremaneira receber na minha empresa, no período do exercício dos mandatos e não em campanha eleitoral, deputados, governantes e autarcas, para conversarmos. Talvez assim pudesse haver uma troca de ideias proveitosa, sem a pressão de ter que pedir ou oferecer o voto.
Entretanto, já declarei publicamente, no Facebook, que vou votar na AD nas próximas eleições.
Apesar do desencanto com a política, ou melhor, com o desempenho de alguns dos seus protagonistas, ainda não tenho razões para optar pelo voto em branco ou pela abstenção.
Gostei da forma como Luís Montenegro conduziu o país no último ano e essa seria uma boa razão para justificar o meu voto. Todavia, o “caso Spinumviva” deixou-me, francamente, desapontado.
A prestação parlamentar de Paulo Moniz, em dois mandatos, é o motivo principal do meu sentido de voto, para o que contribui também a escolha de Nuna Menezes para fazer parte da lista da AD nos Açores ocupando uma posição que poderá resultar na sua eleição.
É claro que, como pano de fundo, a ideologia subjacente à AD sustenta a minha opção política.
Não posso, por fim, deixar de expressar uma grande perplexidade e uma crítica severa ao facto de a AD, no plano nacional, se apresentar como coligação entre o PSD e o CDS e, nos Açores, somar o PPM.
Por maior que seja o valor atribuído à estabilidade governativa nos Açores — um desígnio que a prática contraria, pois, governar com estabilidade não é estar no governo meramente — há valores que mais alto se levantam, entre eles a coerência.
Como é possível que o PPM, que combate ferozmente a AD no continente, faça parte da lista da AD nos Açores, que apoia incondicionalmente a AD… do continente?
Como é possível que aquele que se transformou numa figura espúria da Democracia e da Autonomia, em todos os sentidos que o termo encerra, seja capaz de pegar no líder do PSD-Açores na palma da sua mão?
Textos publicados pelo autor deste portal nesta rede social


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