
Escrito às 21h16
por José Manuel Souto Gonçalves
«Foi uma experiência aflitiva»
Embora os Açores tenham passado, praticamente, ao lado do apagão que, ontem, ocorreu em Portugal, em Espanha e em parte da França, não deixaram de acompanhar, à distância, o acontecimento e todas as suas consequências.
No entanto, uma açoriana e faialense, a professora de Educação Física Ana Gonçalves viveu mesmo a experiência “in loco”.
Se estivesse no Faial talvez os efeitos da falta de energia que por aqui sucedesse, embora arreliadores, não fariam grande mossa. Já o mesmo não se poderá dizer quando se está incógnito em plena capital portuguesa.
A pedido de soutoemlinha Ana Gonçalves partilha os momentos em que se viu confrontada, inesperadamente, com uma situação para a qual não se encontrava preparada:
Por sorte, ou talvez por azar, estava em Lisboa no dia 28 de abril, o dia do grande apagão. Digo “por sorte” porque situações inesperadas como esta costumam trazer reflexões valiosas sobre a vida dos nossos dias. Já o “azar” tem a ver com o caráter totalmente imprevisível do acontecimento: não estamos preparados para isso, pois partimos do princípio de que, no século XXI, esses colapsos simplesmente não iriam acontecer.
Entre os muitos transtornos enfrentados pela população, que tive oportunidade de testemunhar, como trânsito caótico, transportes paralisados, aeroporto encerrado, restaurantes e lojas impedidos de funcionar, escassez de informação e a bateria do telemóvel a esgotar-se, o meu maior embaraço foi perceber que não tinha dinheiro vivo. Tinha apenas tomado o pequeno-almoço e, sem acesso a meios eletrónicos de pagamento, não fazia ideia de como garantir outra refeição ao longo do dia. Foi uma experiência aflitiva, mas também reveladora, sobretudo por me lembrar que, embora hoje em dia seja pouco comum andar com dinheiro, há momentos em que ele continua a ser absolutamente indispensável.
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