
Escrito às 11h22
por José Manuel Souto Gonçalves
Noticiou a antena 1 Açores que «o presidente da Assembleia Regional chegou a acordo com os dois maiores partidos, PSD e PS, para aplicar um corte de 50% nos aumentos das subvenções partidárias, que entraram em vigor a 1 de janeiro. Os partidos com assento parlamentar nos Açores tinham direito a mais 655 mil euros por ano de apoios públicos, mas Luís Garcia entende reduzir esse valor para metade».
Concordo com a medida, mas, poderia ir mais além.
O corte para metade é no aumento e não na subvenção em vigor. O aumento será, então, de 325 mil euros, o que, obviamente, se irá refletir no aumento da subvenção.
Os partidos com assento parlamentar e os respetivos deputados têm imensos meios para custear as despesas inerentes à sua atividade, assegurados pela Assembleia. Alguns desses meios são aproveitados pelas estruturas partidárias para o seu próprio funcionamento, criando, aliás, uma promiscuidade entre os partidos e o Parlamento.
Para não dizerem que falo de cor, dou o seguinte exemplo: quando trabalhei, como secretário, no Grupo Parlamentar do PSD, na década de 80 do século passado, o partido reuniu-se, várias vezes, em Conselho Regional, nas instalações da Assembleia. Durante essas horas, tirei dezenas de quilos de fotocópias, a expensas do próprio Parlamento.
Em resumo, uma medida que mereceria, certamente, o aplauso dos açorianos seria não fazer aumento nenhum, ou até mesmo reduzir o montante das subvenções.
Não há tantas coisas por aí a precisarem de um dinheirinho para serem remediadas?
Fiz as contas por alto e este aumento representará pouco mais de um euro por ano por cada açoriano. Dir-me-ão: é tão pouco!
Pois é, porém, de grão em grão enche a galinha o papo e se se cortasse só um bocadinho na imensidade de abusos em despesas desnecessárias talvez restasse para fazer algumas manutenções.
Não foi o Senhor Presidente do Governo que, há dias, afirmou que não há dinheiro para isso?
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