
Escrito às 13h35
por José Manuel Souto Gonçalves
Como acontece com outras tradições e hábitos da comunidade faialense, também o Carnaval não foge à apreciação da opinião pública. Neste ano de 2025 pairou a ideia de que o Carnaval no Faial está a decair. Alguns cidadãos expressaram essa opinião nas redes sociais.
Apesar de já ter passado algum tempo, soutoemlinha enviou 13 questionários a outras tantas pessoas residentes por toda ilha com o propósito de abordar o tema em causa.
Foi recebida, apenas, uma resposta. Por não se ter atingido o objetivo de ouvir a opinião de um conjunto diversificado de inquiridos seria natural ignorar o assunto. No entanto, a resposta de Hélia Dias, da Praia do Almoxarife, constitui uma análise bem feita a este fenómeno, que, por isso, merece ser publicada, com um agradecimento de soutoemlinha pela sua disponibilidade para colaborar no inquérito.
«Dizer que “antigamente é que era bonito” é um saudosismo exagerado e retrógrado»

Hélia Dias: «Devemos sempre tentar não desvirtuar a essência do Carnaval» | fotografia extraída do Facebook
— O Carnaval, no Faial, ainda é ou já não é o que era?
— É evidente que o Carnaval, como tudo, já não é o que era. A sociedade vai evoluindo e, cada vez mais, temos acesso a diferentes tipos de bens que substituem os que eram utilizados nos trajes, nos almoços e jantares de família, bem como as tradicionais “cestas de farnel” levadas para os assaltos de Carnaval, que ainda persistem. Mantêm-se e consomem-se cada vez mais as tradicionais fofas da época, mas aqueles doces caseiros (malassadas, coscorões, sonhos, etc.) são cada vez mais raros. As brincadeiras com bombinhas de Carnaval ou estalinhos (agora considerados artigos de pirotecnia proibidos) e as pistolas com fitas de estalo desapareceram. Mantêm-se os confettis e as serpentinas.
— Quais são as diferenças entre os festejos carnavalescos do passado e da atualidade?
— Mais recentemente, começaram a surgir por todo o lado os cortejos das escolas, que animam uma manhã na cidade da Horta. No entanto, desapareceram algumas matinés que eram consideradas marcos da época, como a matiné de segunda-feira do Fayal Sport. Os “assaltos de Carnaval” continuam em grande, mas são cada vez menos os bailes de Carnaval nas sociedades e coletividades. Deixaram de se ver, pelas freguesias e na cidade, os grupos de mascarados que eram uma presença constante nos três dias de festa.
— Deve-se deixar que o Carnaval siga o seu caminho ou devem ser tomadas medidas para alterar alguma coisa?
— Devemos sempre tentar não desvirtuar a essência do Carnaval – divertimento, fantasia e alegria –, mas permitir que as coisas sigam a sua evolução natural.
— O que era mais bonito e divertido antigamente e agora?
— Com a possibilidade de assistirmos em direto aos carnavais de todo o mundo, “inconscientemente ou não”, acabamos por aderir e imitar aquilo que mais nos chama a atenção e diverte. Dizer que “antigamente é que era bonito” é, muitas vezes, um saudosismo exagerado e retrógrado.
Ó FAIAL, FAIAL!
Esta rubrica destina-se a dar boas notícias já que muita gente diz que o que por aí não falta é quem deite tudo abaixo


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