Carlos Ferreira na BTL apresentou o «conceito» da Semana do Mar | fotografia do Município da Horta
Artigo polémico agita redes sociais

Escrito por
José Manuel Souto Gonçalves
Questionado, por soutoemlinha, sobre quais os artistas que já estão confirmados para atuar no palco principal da Semana do Mar em 2025, ou, por que razão não foram anunciados, por estes dias, na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), tendo em conta que a maioria dos cartazes das festas de verão do Triângulo já são conhecidos e tiveram divulgação naquele certame, o Município respondeu, através da assessoria de imprensa, que a Câmara Municipal da Horta acha preferível «apresentar o conceito» da Semana do Mar primeiro e «valorizar as várias dimensões da festa», deixando para depois «o anúncio dos artistas».
«Ninguém do continente visita o Faial por causa dos artistas do palco principal», diz a Câmara, para justificar a opção por não apresentar os cabeças-de-cartaz na BTL.
Respondendo por via telemática, a assessoria de imprensa municipal chamou a atenção para o facto de só metade, e não a maioria, dos seis municípios do Triângulo dos Açores ter feito a divulgação de artistas: «Madalena, Lajes e Horta não apresentaram artistas, logo, metade dos municípios do Triângulo é que apresentou, nomeadamente, os três primeiros festivais de verão, que se realizam nas Velas, Calheta e São Roque.»
Interrogado, também, sobre quando ficará “online” o “site” da Semana do Mar, o Munícipio informou que «o site da Semana do Mar será atualizado logo que possível, sendo que o Facebook do evento foi atualizado hoje e todas as informações serão lá divulgadas. Em data a comunicar será feita uma conferência de imprensa de apresentação da Semana do Mar 2025».
A assessoria de imprensa do Município da Horta respondeu, deste modo, à solicitação de soutoemlinha para saber quais são as principais figuras do cartaz da Semana do Mar em 2025.
Pena hostil
Este assunto estalou na opinião pública faialense após a publicação de um artigo de opinião, inserido no jornal Incentivo, intitulado «Semana do Mar sem artistas».
As reações não se fizeram esperar nas caixas de comentários de publicações do Facebook, com apreciações depreciativas ao diretor do jornal, Rui Gonçalves, autor do texto, nomeadamente acusando-o de mau jornalismo.
O cerne da polémica está no facto de um artigo de opinião ter sido tomado como uma notícia e o título ter sido entendido como uma informação.
O jornalista em causa escreveu, no corpo do artigo, acessível somente a assinantes, que, depois de ter visto «anunciar os artistas para as festas das Velas, da Calheta, de São Roque e da Madalena», verificou que, «da Semana do Mar, nada». E rematou: «O mesmo aconteceu com as Lajes do Pico.»
«Sendo a BTL uma ocasião de excelência para dar a conhecer aos de fora, que nos podem visitar, o que temos para apresentar durante o verão, estranhei que a Câmara da Horta não a tenha aproveitado», acrescentou o articulista.
Se quem se ficou pela leitura do título em causa tivesse ido mais além, a controvérsia teria sido maior.
Usando uma pena considerada, por muitos leitores, como hostil ao presidente da Câmara, Rui Gonçalves não se coibiu, no espaço de opinião que subscreve regularmente, intitulado “A Abrir”, de lançar achas para a fogueira: «Ainda me lembro de ler e ouvir críticas a câmaras anteriores por divulgarem o programa da Semana do Mar quase em cima da hora.»
A história repete-se?
A imprensa faialense vive, presentemente, um momento histórico que tem aspetos semelhantes ao período que se seguiu à Revolução do 25 de Abril.
Nessa altura existiam os entretanto desaparecidos diários O Telégrafo (matutino) e Correio da Horta (vespertino).
Dirigido por Rogério Gonçalves, sucessor do fundador e figura perfeitamente identificada com o jornalismo local, o matutino assumiu uma linha editorial que o colocou na esfera do contrapoder, como órgão de comunicação social crítico, evidenciando uma intrépida defesa dos interesses da terra.
Sob a direção de Fernando Faria, professor, que assumiu o cargo logo após a Revolução dos Cravos, secundado por Jaime Baptista, igualmente professor e já com “escola” no meio jornalístico da Horta, o vespertino, em nome da defesa da causa da Autonomia, não evitou a colagem ao poder. Para isso muito contribuiu a ligação, como deputado e vice-presidente do Parlamento, do seu diretor ao, na altura, PPD e depois PSD.
Nos últimos tempos — e aqui vai a comparação entre a atualidade e o que ocorria há 30, 40 50 anos — o Tribuna das Ilhas, que nasceu com o desiderato da independência como lema, foi capturado pelo poder, fazendo lembrar o Correio da Horta, enquanto o Incentivo se aproxima do espírito do Telégrafo, embora com um percurso de “oposição” mais acentuado.
O atual chefe de Gabinete do presidente da Câmara conquistou o lugar por via do seu desempenho como diretor do “Tribuna”, enveredando por uma campanha eleitoral descarada nas páginas do semanário que dirigiu. Atualmente, apesar da tentativa de equilíbrio que a jornalista Susana Garcia, diretora interina, procura imprimir às opções editoriais, é fácil perceber que existem forças ocultas a determinarem a tendência política “de Direita” expressa nas páginas do jornal.
O Incentivo, em contrabalanço, sobretudo por causa da crueza de alguns textos do seu diretor, tende a ser encarado como um órgão de Comunicação Social que tem uma “agenda” oposta à do Tribuna das Ilhas. Tal deve-se a um escrutínio jornalístico-político apertado, que, em boa verdade, não é de agora. Porém, a popularidade e o estado de graça da liderança camarária concorrem para que, facilmente, as posições deste ex-diário se apresentem, aos olhos do público, como resultado de uma visão parcial do jornalismo, ou, até, como uma sanha de natureza pessoal.
Em resumo, o Faial continua com dois jornais em polos opostos, embora, evidentemente, os termos de comparação possam, nalgum segmento, não se equivalerem. Afinal, toda a comparação é coxa!
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