Munícipes bem representados na caminhada | fotografia do Município da Horta

Escrito por José Manuel Douto Gonçalves
Mergulhado em afazeres vários, ao autor desta Crónica tem sobrado pouco tempo para devaneios (pseudo)literários. Mas, como estamos tem época carnavalesca, virá a propósito um olhar sobre a Cidade Torta.
O assunto é sério, porém.
Realizou-se a «Caminhada 12 horas», na passada semana, numa iniciativa do Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro e do Serviço de Desporto da Ilha do Faial.
O objetivo foi levar a população a formar equipas para uma caminhada de uma hora na Avenida 25 de Abril (vulgo Marginal, saudosa Arantes de Oliveira).
O autor desta Crónica também contribuiu, com o maior gosto, aliás, para a estatística, pois, ao fazer o seu habitual percurso citadino, a pé, foi abordado para receber um autocolante, aplicado de imediato na lapela. Também houve lugar à fotografia, certamente para comprovar a adesão fortuita à caminhada. Cruzou-se, entretanto, com magotes, que, dada a hora, seriam de funcionários públicos dispensados do serviço para enriquecer a adesão ao acontecimento.
A partir desta altura, várias vezes ao dia, o autor desta Crónica procurou, incessante, mas, ingloriamente, a sua fotografia no Facebook.
Desiludido, desinteressou-se, mas, caiu-lhe debaixo dos olhos algo que fez esquecer, justamente, a sua mágoa.
A nossa Câmara Municipal também se solidarizou com esta batalha contra o cancro, que, ao contrário de outras guerras, ninguém deseja que termine!
O texto que deu nota da louvável atitude autárquica vinha, como é habitual, acompanhado de fotografias, hoje indispensáveis em qualquer “post” no Facebook.
Voraz, o autor desta Crónica quis, de imediato, tomar conhecimento detalhado sobre quem caminhou na Avenida, satisfazendo o apetite “facebookiano” de saber o máximo possível da vida dos outros.
A expectativa era legítima, pois, esperar-se-ia ver, com agrado, muitos munícipes caminhando no âmbito do projeto em causa.
A reportagem, porém, não foi ao encontro do íntimo desejo do autor desta Crónica, mas, não o defraudou.
Na primeira fotografia, aparecem Carlos Poeira, Maria Sem Cerimónia Dutra e Hugo Diligente, pousando, isto é, parados, com um grupo de utentes da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF).
Entre parêntesis é importante realçar que está a tornar-se fastidiosa, pelo número de vezes que acontece, a utilização dos deficientes, das crianças e dos velhos, que, pela sua condição não regateiam beijos e abraços a ninguém, para ações de promoção político-pessoal.
Voltando à notícia camarária, nas fotografias seguintes, pode admirar-se Carlos Poeira em grande plano, sozinho, afável, atlético e até charmoso, de polegar em riste!
Depois, Maria Sem Cerimónia Dutra, indiscutível campeã do sorriso nos Açores e arredores, na classe dos vereadores, que está, inexplicavelmente, séria, mas destacada, porque sozinha também, na fotografia.
Ao contrário do que seria razoável, ou, até, obrigatório, dada a respetiva volumetria, que não permite a sua passagem como entidade despercebida nos múltiplos, variados e numerosos eventos em que participa, sejam religiosos, culturais, sociais, desportivos e muito mais, Hugo Diligente só foi fotografado de costas.
E assim ficou feita a reportagem da «Caminhada 12 horas», na qual os participantes, numerosíssimos, certamente, se podem achar bem representados (incluindo o autor desta Crónica).
Brincando com coisas sérias: esta crónica ficciona a realidade, por isso, qualquer semelhança das personagens, das entidades, ou dos acontecimentos referidos com pessoas, instituições ou situações será mera coincidência



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