Raquel Vieira, Rute Duarte, Isaac Silveira, António Dias, Tânia Gonçalves, António Pimentel | fotografia de Nina Simões, Facebook
Atuações mensais estão em vista para os próximos meses

Escrito por José Manuel Souto Gonçalves
Na última sexta-feira, 21 de fevereiro, entusiastas do fado na ilha do Faial promoveram um jantar, com a atuação de tocadores e fadistas locais, com o propósito de despertar o interesse para a retoma regular de encontros onde se toque e cante este género musical.
Perante meia centena de pessoas, que compuseram uma das salas do restaurante Barão Palace, apresentaram-se Rute Duarte, guitarra portuguesa; Isaac Silveira, viola de fado; e António Pimentel, viola baixo; e os fadistas António Dias, Tânia Gonçalves e António Pimentel. De surpresa, subiu ao palco Raquel Vieira.
O jantar correu animado e mais ainda a parte musical, com o público a participar ativamente no espetáculo.
Perante a expectativa, que António Dias lançou ao dizer que está em mente dos organizadores a realização de atuações regulares, soutoemlinha entrevistou o fadista para obter mais informação sobre o assunto.
António Dias: «Haverá algumas surpresas com artistas “fora da caixa”»
— O fado está de volta com atuações regulares no Faial. Conte como foi possível este reaparecimento.
— No Faial, desde há 14 anos, altura em que eu abracei o fado nesta ilha, existe uma “comunidade” fadista, que não só trabalha para manter aqui o fado vivo, como tudo faz para que este tenha um bom nível de qualidade. Contudo, isto só tem sido possível com muita persistência, tanto de músicos, que estão na raiz/origem, como de fadistas e apoio de amantes da Canção Portuguesa. Graças a esses apoiantes, aconteceram encontros de fadistas de toda a Região nesta ilha e outros eventos foi possível concretizar. Durante cerca de 5 anos, houve fado uma vez por semana no restaurante Genuíno. Também, esporadicamente, acontecia o fado aqui e ali. Houve fado todos os meses, durante um ano, num restaurante churrasqueira do Varadouro, chamado “Vista da Baía”, onde eram sempre os mesmos músicos, os mesmos dois fadistas e sempre casa cheia, com um público misto de estrangeiros, residentes na parte norte da ilha e outros naturais. Quando este restaurante fechou, com o Covid pelo meio, o Senhor Matos, do Restaurante Barão Palace, a certa altura abordou-me sobre a hipótese de se fazer um género de Casa de Fados, onde antes tinha a discoteca e ali se cantou fado durante cerca de três anos, com algumas falhas pelo meio. Era um público diferente daquele que ia ao Genuíno e à churrasqueira, era gente da ilha. Estes, ultimamente, talvez com saudades, começaram a perguntar, aos músicos, aos fadistas e no restaurante, quando haveria fado no “Barão”. Até que em fins de janeiro deste ano, o Senhor Matos decidiu dar início a esta nova fase, desta vez na sala principal a título de experiência, que se pretende continue mensalmente, assim tenhamos público para alimentar as noites de fado.
— Qual a programação para o futuro?
— Quanto à programação para o futuro, e uma vez que o Senhor Matos me pediu para ajudar na organização, por falta de disponibilidade, eu tenho-me empenhado com a colaboração de músicos, fadistas e aficionados, para que o fado aconteça de forma a cativar o público e assim viabilizar a continuidade desta iniciativa. Para isso temos como objetivo primeiro tentar chegar a estrangeiros e turistas, não só para divulgar a Canção Portuguesa, como também para gerar receita que nos permita ir mais além, pelo que aceitamos toda a ajuda nesse sentido.
Para as próximas noites pensamos continuar de forma a dar oportunidade a todos os fadistas da ilha, pois são eles, com os músicos, que têm dado vida ao fado no Faial e por isso merecem estar presentes. Depois, para tornar estas noites mais interessantes, sempre que possível, haverá lugar a algumas surpresas com artistas “fora da caixa”.
Se esta ideia vingar, já temos em pensamento uma forma de conseguirmos trazer fadistas de fora da ilha, mas nunca esquecendo os da terra.
— Que grupos e que fadistas existem presentemente no Faial?
— Dos grupos de músicos que existiam no Faial, por via de falecimento de uns e doença de outros, presentemente (embora ainda exista um grupo registado) há três músicos (uma guitarra portuguesa, uma viola de fado e um viola baixo) em atividade, que se juntam semana após semana religiosamente, com sacrifício e em prejuízo da vida familiar, mas, com paixão e amor ao fado, que ensaiam cerca de oito fadistas residentes.
— Seria viável uma casa de fados na nossa ilha?
— Uma casa de fados, o sonho de músicos e fadistas desta ilha! Eu penso que não seria impossível, mas, dependeria de um lugar estratégico, que sobressaísse de forma a chamar a atenção ao visitante da ilha. Alguém com iniciativa e amor ao fado, com comida à base de petiscos, tapas e até algo regional como lapas. Depois, teria que ser um dia fixo todas as semanas, para que o pessoal pudesse pensar nesse dia ir ao fado, tendo a certeza que havia. Tipo um misto da Casa do Bacalhau de Ponta Delgada e Taberna do Fado de Angra. Esta é a minha opinião, outras haverá.
— A juventude faialense adere ao fado, ou são os mais velhos que marcam presença nas iniciativas?
— Sem saber o que tem por conceito de “mais velhos”, eu acho que temos gente nova no fado e até com iniciativa em organizar/aceitar convites para noites de fado. Relativamente a jovens abaixo dos vinte anos, têm aparecido algumas tentativas e outras presenças nos ensaios que manifestam o gosto por este género musical.
Gostaria de agradecer ao Souto Gonçalves a oportunidade que me ofereceu para poder falar de fado no Faial. Eu falo como se daqui fosse, porque aqui criei raízes já há alguns anos e vivo o Faial.
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