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É voz comum, entre os mais velhos, que o inverno já não é o que era! No meu tempo, dizem, a gente ia para a escola debaixo de um mau tempo terrível, cheios de frio. As coisas eram muito diferentes, fazia vento a valer, brincava-se com o granizo na rua. Isto está tudo trocado!
Quem assim fala não tem em conta que as coisas evoluíram, que as condições de conforto, como a climatização das casas, o vestuário adequado, os transportes acessíveis, etc. fizeram com que a população esteja mais protegida e, portanto, sinta menos as agruras da estação invernosa. Já ninguém anda descalço, por exemplo!
Compreenda-se, porém, a expressão saída da boca daqueles que viveram tais dificuldades: o inverno já não é o que era!
Em suma, o inverno não terá mudado, mas, diferentes serão as maneiras que temos de nos defendermos dele.
Isto não quer dizer que as alterações climáticas, muito badaladas, não estejam a exercer a sua influência nas transformações a que se assiste, independentemente de serem mais, ou menos, mensuráveis.
De qualquer modo, nos últimos dias, tivemos, seguramente, um inverno à antiga, que gerou a expressão popular “está de encosta joelhos”, em referência à atitude física que se toma quando o frio aperta.
Cabeço Gordo abaixo de zero
Foram várias as reações no Facebook sobre o título (Tempestade de neve em aproximação) que soutoemlinha escolheu para antever o mau tempo que ocorreu na sexta-feira, 14 de fevereiro.
As previsões não se confirmaram com a dimensão esperada, no entanto, também não têm razão os negacionistas, que se fartaram de usar o “emoji” que simboliza no Facebook uma gargalhada para comentar a situação.
Foi pouco, todavia nevou na parte mais alta do Faial.
O entusiasta da meteorologia Luís Serpa esteve junto à Caldeira, filmou a queda de neve, e explicou a soutoemlinha a razão porque não se formou um manto branco no Cabeço Gordo e à sua volta: «A precipitação pós-frontal não foi abundante, daí a não acumulação de neve.»
Segundo Luís Serpa «houve sempre uma oscilação de temperatura, que alternava entre valores negativos e positivos».
A estação da Rede Hidrometeorológica dos Açores situada no Cabouco, ilha do Faial, a 860 metros, nas proximidades da Caldeira, registou a temperatura mínima de 0,9 graus.
Em tese, a cada 100 metros, a temperatura do ar desce 0,65 graus. No cume do Cabeço Gordo (1.043 metros) estima-se, portanto, um registo de 0,4 graus negativos, isto é, condição necessária para a queda de neve.
Pico espetacular
Enquanto isto o guia de montanha Renato Goulart disse à Antena 1 Açores que não escalou o Pico no dia do nevão que, ali sim, se abateu fortemente no cume e encostas. Segundo Renato Goulart a temperatura terá chegado a 20 graus negativos na zona mais alta da montanha.
No dia seguinte, Renato Goulart, que já subiu o Pico quase três milhares de vezes, aventurou-se na escalada e, naturalmente, obteve imagens fabulosas, de que é exemplo a fotografia abaixo publicada.



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