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A lâmpada do poste que iluminava o ecoponto da Estrada 5 de Outubro fundiu. Era uma noite quente, antes do verão, quando a luz se apagou para nunca mais voltar. Desde então, o mistério adensa-se: quem será o responsável pela sua substituição?
Os primeiros passos nesta epopeia começaram com uma chamada à Junta de Freguesia, que, prontamente, fez o que se esperava — desviou a responsabilidade para a autarquia. Esta, por sua vez, apontou o dedo às Obras Públicas, que, com igual eficácia, transferiram as culpas para a EDA. Assim, num jogo de empurra digno de campeonato, já se passaram mais de seis meses e o poste continua apagado, testemunha silenciosa da inércia que reina.
Quem será o génio desta lâmpada? A analogia com Aladino é irresistível, mas, ao contrário do conto, o nosso génio não responde a esfregadelas. Este génio viverá presumivelmente escondido num gabinete, perdido entre papéis e organogramas que transformam um simples problema numa odisseia burocrática.
O mais irónico é que estamos em ano de autárquicas. De repente, tudo parece ganhar uma nova luz — ou deveria. Porque, afinal, um ponto de luz numa estrada não é só uma questão de comodidade. É segurança, é cidadania, é dignidade. A Estrada 5 de Outubro, com o seu ecoponto estrategicamente plantado à beira do asfalto, separado por uma valeta traiçoeira, é o palco de cenas que mais parecem tiradas de uma tragicomédia.
Imagine-se o cenário: uma pessoa, carregada de sacos de lixo reciclável, tenta atravessar a valeta para chegar ao ecoponto. Entretanto, carros passam em alta velocidade, como se estivessem numa pista de corridas. Não falta muito para que acidentes ou atropelamentos deixem de ser “quase” e passem a ser realidade.
Mas, quem terá sido o génio que escolheu este local? Certamente alguém iluminado… ou talvez não. Uma lâmpada fundida pode parecer um detalhe insignificante, mas é o reflexo de algo maior. É o espelho de um sistema que funciona às escuras, onde os responsáveis evitam o encargo e onde o cidadão, esse ser anónimo e muitas vezes esquecido, é que paga a conta — seja com a sua paciência, com a sua segurança ou com uma cruzinha.
E é aqui que a luz apaga de vez. Até quando a falta de iluminação pública será tratada com negligência? Até quando um simples problema de manutenção será empurrado de entidade para entidade, como um saco de lixo que ninguém quer reciclar?
Talvez lá para setembro ou outubro, quando vierem bater-nos à porta nas vésperas do sufrágio talvez o génio da lâmpada decida sair do anonimato, prometendo resolver tudo com um truque de magia.
Até lá, continuaremos às escuras, iluminados apenas pelo brilho das nossas ironias e pela esperança de que, um dia, o poste volte a acender-se. Porque, na Estrada 5 de Outubro, o único mistério maior do que o da lâmpada fundida é o da responsabilidade desaparecida.
Rute Lacerda

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