Maria Vasconcelos Menezes (1926-04-23 — 2025-01-05) com o seu marido | fotografia com direitos reservados
Faleceu no domingo 5 de janeiro de 2025 a professora Maria Vasconcelos Machado Menezes, natural e residente na Matriz da Horta.
Pessoa muito estimada no meio faialense, era carinhosamente tratada, por amigos e antigos alunos, como Mariazinha Vasconcelos.
Mãe de uma família numerosa, dos seus seis filhos (Fernando Manuel, Jorge Manuel, Ruben Manuel , Luís Manuel, Maria Madalena e Gui Manuel ) teve dez netos e 13 bisnetos. Era viúva de Fernando Manuel Ribeiro Menezes.
A professora Mariazinha Vasconcelos foi uma professora carismática, de uma dedicação exemplar ao ensino e, sobretudo, aos seus alunos, em cuja memória permanece um sentimento de gratidão, publicamente manifestado em diversas ocasiões, pela forma bondosa e atenta como com eles se relacionava.
No ensino primário “deu escola” na Praia do Almoxarife, Volta (Conceição), Cedros, Grotas (Feteira), Angústias, Flamengos e Matriz. Na Rua de São João, na cidade da Horta, numa casa particular, lecionou a 5.ª e 6.ª classes e foi docente na Escola do Magistério Primário da Horta.
Iniciou a sua vida profissional, toda ela dedicada a ensinar, no princípio da década de 50 do século passado, cumprindo 36 anos de serviço público.
O historiador Fernando Faria Ribeiro, solicitado por soutoemlinha a dar um testemunho sobre Mariazinha Vasconcelos, recorda que a conheceu quando frequentou a Escola do Magistério Primário da Horta em 1962-1964.
«Sendo ela professora das chamadas Escolas de Aplicação, as minhas colegas de curso enalteciam as suas qualidades docentes e humanas. Estava sempre disponível para auxiliar as alunas-mestras daquela Escola que lá iam semanalmente e que lá faziam estágio de fim do curso», lembra Fernando Faria, que, em 1964-1965, foi seu colega «nas explicações de Latim e Grego do Dr. Benarus».
«Com grande esforço nosso — disse Fernando Faria —, os sete alunos que frequentavam essas aulas, que começavam de manhãzinha, julgo que das 6h30 às 8h00, conseguiram concluir, apenas nesse ano lectivo, o 7.º ano liceal, tendo todos obtido 16 ou mais valores, o que os dispensou das provas orais».
«Se para mim — prosseguiu —, aquilo foi duro, pois, já trabalhava nas Finanças, para os mais idosos, como era o caso da D. Maria Vasconcelos e do Sr. Mário Frayão, para eles foi duríssimo. Casada e com cinco filhos, era dona de casa, professora e estudante. Fez um esforço enorme, compensado com as suas excelentes classificações».
Fernando Faria explicou que «naquela época, os professores primários que tivessem mais de três anos de exercício e o 7.º ano liceal podiam candidatar-se à docência das 5.ª e 6.ª classes e, posteriormente, aos dois anos do Ciclo Preparatório. Essa foi a motivação para muitos professores primários terem então “tirado” o 7.º ano liceal».
A concluir Fernando Faria Ribeiro sublinhou que «desde então e pela vida fora», sentiu «sempre pela D. Maria Vasconcelos Machado Menezes uma grande estima e muito consideração». E concluiu: «Era, de facto, uma grande senhora e uma excelente professora».
José Manuel Souto Gonçalves



COMENTAR