Uma Horta cinzenta, mas sempre menininha | fotografia soutoemlinha
Sou do tempo em que “ir à cidade” implicava escolher roupa adequada e programar a deslocação de modo a “fazer as voltas” que era preciso, porque a vez seguinte não seria para breve.
O contrário também era verdade. Ainda me lembro de dizer a minha mãe que ia a Castelo Branco “num ‘nstante” e ela mostrar uma cara de espanto!
Antigamente era tudo mais distante!
O saudoso Senhor Mário Frayão contava-me que, com o verão à porta, havia pessoas da cidade que começavam a preparar as coisas para irem passar a época estival ao… Pasteleiro!
Hoje, levantei-me mais cedo para “ir à cidade”!
O tempo está quente, mas húmido, com o habitual capacete de nuvens sobre o Faial. De vez em quando caem uns pingos.
“Fiz as voltas” que tinha planeado. Entrementes, tal como gosto, apreciei o bulício citadino, que já não tem comparação com o que acontecia há anos, ainda por cima em dia de mau tempo.
Se a pacatez da nossa Horta nos transmite um agradável ambiente de sossego, a falta de circulação de pessoas cria um vazio saudosista.
Porém, não vale pena choramingar, porque os tempos mudam e temos que acompanhá-los e não vai ser neste pequeno escrito que vou fazer uma análise exaustiva sobre o assunto.
Deixo apenas este registo, para acompanhar a imagem que captei do Largo da Matriz, ao início da manhã, de uma Horta cinzenta, mas sempre menininha.
José Manuel Souto Gonçalves


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