Navio Mestre Simão encalhado no porto da Madalena | fotografia com direitos reservados
Acidente com navio da Atlânticoline foi há sete anos
Na manhã do sábado, 6 de janeiro de 2018, o navio Mestre Simão, o primeiro do género que entrou ao serviço da Atlânticoline, encalhou, cerca das 9h30, no Porto da Madalena. Completam-se hoje sete anos sobre o acontecimento.
O socorro foi imediato e apenas se verificaram feridos ligeiros, entre os 61 passageiros, dos quais faziam parte uma equipa de formação do Futebol Clube dos Flamengos e um bebé, e os nove tripulantes.
Após o lançamento ao mar de uma balsa salva-vidas e da evacuação que lhe sucedeu, uma embarcação de uma empresa marítimo-turístico fez o reboque para o cais.
Um passageiro que soutoemlinha ouviu hoje e que pediu para o seu nome não ser mencionado, recordou que «a viagem foi normal». À passagem pelo farol da doca da Madalena o passageiro em causa apercebeu-se de que o barco «ia muito depressa» e que, momentos depois, «deixou-se de ouvir os motores».
«Não houve uma pancada, mas, uma sensação de arrastamento», que este passageiro, natural e residente no Faial, sugere como sendo um ruído do género “crreee… crreee…”
«O pior era a inclinação do barco em cima das pedras, de um lado para o outro», recorda. «Estávamos sentados, quase em silêncio, sem qualquer som de maquinarias, e quando vinha uma vaga o balanço era grande, não se podia ficar de pé».
A dada altura a máquina do café caiu no chão e causou algum sobressalto, mas, de resto, diz a fonte que estamos a citar, as pessoas mostraram-se serenas, apesar das circunstâncias. «Sabíamos que a embarcação não se afundaria, pois, estávamos sobre pedras».
«Infortúnio de mar»
O desastre foi alvo de dois processos de averiguações. A investigação da própria Atlânticoline concluiu que o acidente resultou do facto de o motor de bombordo não ter respondido à ordem de marcha à ré, por causa de um mecanismo que o impediu, situação que, entretanto, foi corrigida no Mestre Jaime Feijó, construído para substituir o Mestre Simão. O relatório do Gabinete de Investigação de Acidentes Marítimos (GAMA) fala de «um infortúnio de mar» e diz que devido às condições do próprio mar na ocasião não deveria ter sido decidida a abordagem ao porto.
José Manuel Souto Gonçalves

COMENTAR