Diogo Duarte, piloto de ultraleves e comissário de bordo, foi testemunha do acidente | fotografia de arquivo com direitos reservados
Diogo Duarte estava a bordo do avião que ontem efetuou uma aterragem de emergência em Ponta Delgada
«Iniciámos a corrida para a descolagem às 13h47. Estava sentado do lado esquerdo na zona posterior da asa. Quando o avião tirou a roda da frente do chão para iniciar a subida ouvi três ou quatro estrondos rápidos e seguidos acompanhados por chama na zona de escape do motor», contou a soutoemlinha Diogo Duarte, passageiro do voo da Azores Airlines que ontem faria a ligação entre os Aeroportos João Paulo II e Humberto Delgado.
«O avião continuou a sua subida, mas, foi fácil perceber, pelo som atípico, que os motores não estavam a funcionar em pleno. Ouvi passageiros a comentarem que tinha acontecido o mesmo ao motor do lado direito. Havia também alguma vibração na cabine», prosseguiu Diogo Duarte, comissário de bordo da TAP Air Portugal há 10 anos, que viajava como passageiro para Lisboa, para integrar a tripulação de um voo da sua companhia com destino a Oslo, capital da Noruega.
Diogo Duarte, que é piloto de ultraleves, tem 37 anos e nasceu na ilha do Faial, explicou que «segundos após a descolagem o avião estabilizou e iniciou uma volta pela direita em direção ao aeroporto. A chefe de cabine foi chamada ao “cockpit” e quando voltou informou os passageiros que a aeronave estava com uma falha técnica e que íamos regressar a Ponta Delgada.»
Interrogado sobre a reação dos passageiros, Diogo Duarte disse que «mantiveram-se serenos, só houve algum burburinho após o discurso da chefe de cabine».
«A aproximação e aterragem decorreram normalmente apesar de se perceber que os motores estavam com problemas. O avião não utilizou a pista toda na aterragem, e quando inverteu o sentido na pista para se dirigir ao estacionamento foi-nos possível ver vários pássaros mortos na pista. Pareciam gaivotas», descreveu ainda Diogo Duarte.
O comandante do avião explicou aos passageiros o sucedido, segundo Diogo Duarte: «Antes de chegarmos ao estacionamento o comandante fez um discurso explicando que durante a descolagem algumas aves tinham batido contra o avião e por uma questão de segurança antes de prosseguirmos até ao estacionamento os bombeiros iriam fazer uma inspeção. Enquanto isso, o voo que fazia Ponta Delgada — Horta, que já estava pronto para descolar, teve de ficar à espera mais alguns minutos até que a pista fosse limpa e existissem condições de segurança para descolar.»
O acidente aconteceu com um A320ceo, matrícula CS-TKP. Os passageiros foram reacomodados noutra aeronave que chegou a Lisboa às 19h15, ou seja, duas horas e meia depois do que estava previsto na ligação acidentada.
Recorde-se que um dos acidentes aéreos mais famosos, provocado por “bird strike” (colisão de pássaros com uma aeronave), aconteceu nos Estados Unidos da América, Nova York, no rio Hudson, a 19 de janeiro de 2009. Após colidir com um bando de gansos-do-canadá, os dois motores do A320 da US Airways perderam potência, obrigando a uma amaragem em pleno rio. Todos os ocupantes, dos quais 155 passageiros, sobreviveram.
A ocorrência de “bird strike” é frequentemente relatada. Ainda recentemente, no maior acidente aéreo na Coreia do Sul, já perto do final de 2024, a colisão de aves com o avião foi apontada como uma das causas do desastre.
No último dia do ano, a aeronave que realizou o voo da Azores Airlines entre Lisboa e a Horta borregou durante a primeira aproximação. Um vídeo registou o momento, sendo possível observar a presença de um bando de aves sobre a pista.
José Manuel Souto Gonçalves

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