Ponta Delgada com tudo; Angra com pouco, e Horta sem nada!
Embora algumas iniciativas particulares tenham feito estalejar foguetes pelos ares da nossa ilha, o programado fogo-de-artifício da Passagem de Ano na baía da Horta acabou por ser cancelado por causa do mau tempo.
Ponta Delgada esmerou-se e apresentou um espetáculo pirotécnico de grande dimensão.
Pelo que se viu na RTP-Açores Angra do Heroísmo ficou muito distante da maior cidade açoriana.
Isto levanta a seguinte questão: se se pretende que o “Réveillon” seja um cartaz turístico dos Açores não pode existir uma diferença tão notória entre os diversos pontos de atração; ou, então, tenha-se a coragem de assumir que a aposta é em Ponta Delgada.
É certo que são as autarquias que assumem as despesas e cada uma faz conforme pode. No entanto, insisto que, se o objetivo é falar do destino Açores, há que haver diálogo entre autarcas, e destes com o Governo Regional, para que São Miguel não faça sozinho a festa e o restante arquipélago não tenha outro remédio senão fazer xixi e ir para a caminha mais cedo!
O assunto é sério. Uma hipótese aventada nas redes sociais é gastar o dinheiro em coisas mais importantes.
Enquanto isto foi publicada uma notícia a dizer que uma autarquia (no território continental) optou por um género de pirotecnia mais silencioso do que o habitual, para não assustar os animais. Uma boa medida, sem dúvida.
A talho de foice: eram zero horas e oito minutos do primeiro dia do ano quando aterrou na pista do Aeroporto da Horta um helicóptero para efetuar uma evacuação médica.
2025 a meio gás
Com o anunciado aumento brutal do preço do gás no princípio do Ano Novo os faialenses desataram a açambarcar botijas (quem comprou quatro poupou o equivalente a uma).
Em diversos pontos de venda na ilha, pelo menos durante algumas horas dos últimos dias de 2024, os “stocks” entraram em rutura.
O que não se soube foi se alguém ficou sem se lavar por falta de água quente, ou se houve quem tenha acendido uma fogueira para fazer o jantar do fim do ano.
Para alguns, pelo menos, um duche frio não será problema, já que são cada vez mais os adeptos de banhos de mar em pleno inverno.
Uma pobreza de televisão
A RTP-Açores não escapou a uma onda de críticas severas nas redes sociais poucas horas depois da emissão da Passagem de Ano.
Se eu não tivesse assistido ao programa iria duvidar de algumas opiniões que li, mas, posso confirmar que a nossa televisão esteve muito mal, apesar dos bons profissionais de que dispõe.
O condutor da emissão, exímio realizador de magníficos programas como «Histórias da Terra e da Gente» e de «Vira e Volta», bem se esforçou, todavia, como toda a gente sabe, sem ovos não se faz omeletes.
Do conteúdo do que nos foi apresentado salvou-se a presença do escritor Urbano Bettencourt.
Até o cenário, pesado, de mau gosto, e o mobiliário, em nada ajudaram. As tentativas para fazer rir, numa altura em que as televisões oferecem grande qualidade neste aspecto, quase fizeram chorar. Os convidados saíam de uma espécie de alçapão. E não houve o bom senso de resistir ao autoelogio, fazendo-me lembrar uma apreciação em tempos feito por um ouvinte a um rádio local: eles estão ali noticiando-se uns aos outros.
Deveria haver alguém na RTP-Açores que chamasse a atenção da estação para que não desse passos maiores do que as pernas. Quando não se pode, ou não se sabe fazer, o melhor é ficar quieto!
Parabéns ao Kabem Todos
Lembro-me que, no tempo da recruta na tropa, na cidade de Ponta Delgada, no Dia de Natal do ano de 1983, passei fome!
Saí do quartel para comer qualquer coisa e só encontrei um bar aberto, onde almocei um pastel de nata e um galão.
Foi com surpresa que li o anúncio do restaurante da nossa cidade Kabem Todos, que abriu hoje para servir um “brunch”, muito apetitoso, aliás, avaliando pelas fotografias divulgadas.
Oxalá a iniciativa tenha tido correspondência por parte do público.
A OLHAR PARA FORA
No final do ano velho e já no princípio do Ano Novo foram divulgadas várias notícias sobre a ocorrência ou a iminência de acidentes aéreos pelo mundo.
Neste difícil Planeta, infelizmente, os desastres e as calamidades acontecem com uma frequência que ninguém deseja, a não ser aqueles que beneficiam das guerras.
Ainda sobre os desastres aéreos, li que a aviação continua a ser, com os elevadores, o meio de transporte mais seguro, apesar dos acidentes, tendo em conta o número de aeronaves que operam por todo o lado.
Para meu desespero, tenho medo de andar de avião e não gosto de entrar em elevadores.
José Manuel Souto Gonçalves

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