Portugal está em plena evocação do 100.º aniversário do nascimento de Mário Soares.
Tenho visto reportagens e documentários nas televisões e lido textos da imprensa sobre o assunto.
Comprei o livro «Mário Soares — uma vida», de Joaquim Vieira (1.ª edição). Falta-me lê-lo.
Pessoalmente, acompanhei parte da Presidência Aberta de Mário Soares nos Açores, como repórter da RDP-Açores, no início da década de 90 do século passado, se bem que não tenha tido contacto direto com ele.
Entretanto, hoje surgiu-me uma oportunidade de também participar na evocação de um dos maiores vultos da História política portuguesa, ainda que por interposta pessoa.
Fiquei a saber de um curioso episódio, que não tem a importância dos inúmeros testemunhos que temos escutado na Comunicação Social nos últimos dias, mas, que, porém, é revelador da personalidade de tal figura.
Não fazendo parte de reportagens e comentários televisivos tem, no mínimo, valor histórico.
Contou-me o meu amigo Ricardo Gomes, profissional da restauração, bem conhecido no meio local, onde se evidenciou como talhante.
O Ricardo, pelos seus 20 anos, trabalhou no Zeferino — Café-Concerto, bar e restaurante, que funciona, ainda, nas imediações da Assembleia da República. Ali, pelos finais da década de 70 do século passado, afluía a fina flor da política nacional, em jantaradas amistosas em tudo opostas ao combate político, por vezes desabrido, travado nas bancadas de São Bento.
O Ricardo, pelos seus 20 anos, trabalhou no Zeferino — Café-Concerto, bar e restaurante, que funciona, ainda, nas imediações da Assembleia da República.
Ali, pelos finais da década de 70 do século passado, afluía a fina flor da política nacional, em jantaradas amistosas em tudo opostas ao combate político, por vezes desabrido, travado nas bancadas de São Bento.
Certo dia, o Ricardo servia uma mesa em que pontificavam, nada mais, nada menos, do que Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Mário Soares.
A dada altura, em que o ambiente de boa disposição reinava, o antigo presidente da República, que ainda não o era, dá sinal ao “garçon” e solicita-lhe, ao ouvido:
— Logo que possas, mete veneno no copo do Cunhal! ✓


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