FIO DA MEADA
Nesta rubrica são escritos apontamentos sobre acontecimentos que despertam a curiosidade e o interesse do autor. É uma maneira de acompanhar a atualidade e não perder o «fio da meada»
José Manuel Souto Gonçalves
BARRA
O Telejornal faz 65 anos
O mais antigo (salvo erro) serviço informativo televisionado regular e diário em Portugal faz hoje 65 anos. Lembrou-o o jornalista José Lopes de Araújo, que foi um dos apresentadores do Telejornal, não só na Radiotelevisão Portuguesa (RTP), mas, também, na RTP-Açores. Lopes de Araújo, figura marcante da televisão açoriana, na qualidade de diretor da estação, sobre o Telejornal, lembrou o tempo em que «não havia computador, trabalhava-se em filme e “videotape” e o teleponto era manual», acrescentando que «tais limitações não diminuíam a paixão e entusiasmo com que todos o faziam».
Presidente da Assembleia comparado a mestre-escola
Terminou hoje a reunião plenária de outubro do parlamento açoriano. Os assuntos mais relevantes dos debates foram a criação de áreas marinhas protegidas e o apoio à comunicação social. A falta de peixe nos nossos mares é uma realidade que já não se pode ignorar e a pré-falência de jornais e rádios privados é um facto. Apesar de as medidas para solucionar estes problemas não terem recolhido unanimidade obtiveram votos suficientes para serem aprovadas.

Enquanto isto, as sessões foram pontuadas pelas habituais tricas entre os deputados e geraram duas reações inesperadas do presidente da Assembleia, que, ao invés de procurar elevar a discussão ao patamar que o principal órgão da Autonomia exige, embarcou no provincianismo. A dado passo, perante uma indisciplinada troca de palavras entre orador e ouvintes, Luís Garcia exclamou: Parece que querem ir almoçar mais cedo! Antes, confrontado com idêntica situação, já tinha dito: Eu sei o que é que vocês querem! Numa casa onde o tratamento protocolar é tido como uma regra inviolável estas palavras chocam. A autoridade presidencial viria, além disto, a ser contestada noutro episódio em que o presidente da Mesa deu a palavra ao secretário regional dos Assuntos Parlamentares. Paulo Estêvão demorou, foi avisado, e reagiu. Chamou «mestre-escola» a Luís Garcia [na fotografia, acima] e comparou-o, em sentido negativo, à sua antecessora.
Obras do Governo no Faial podem ser vistas pela janela
Reuniu-se o Conselho de Ilha para dar parecer sobre o Plano do Governo para 2025. Foi fácil, não só porque o documento recebeu o voto favorável de todos os conselheiros, mas também porque bastou copiar e colar o que já estava escrito no parecer anterior. Isto, porém, tem uma razão de ser, explicada pela presidente do órgão, citada pelo Incentivo: O parecer para 2024 foi elaborado há menos de um ano, por causa das eleições antecipadas, o que leva naturalmente a muitas semelhanças entre os dois documentos do executivo. O encontro, contudo, não foi totalmente pacífico, pois, o aumento das tarifas da Atlânticoline gerou posições antagónicas, não quanto à necessidade se subir preços, mas, sobre o valor de tal subida. É curioso que quem lançou a crítica à decisão da Atlânticoline foi o presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta, mas, a bordoada maior saiu das mãos, no caso, da boca, do socialista Gui Menezes, que vaticinou o enterro do turismo nestas ilhas, conforme relato feito pelo jornal Incentivo, o que contrastou com a opinião do vice-presidente da Câmara Municipal, que acha justo o aumento. O aspecto político vem sempre ao de cima nas discussões do Conselho de Ilha, dada a sua natureza. O jornal, a esse propósito, elaborou esta interessante observação: «Uns dizem que fizeram e agora não se faz; os outros dizem que não foi feito antes e que agora é que se está fazendo». Neste ambiente, o conselheiro Hugo Parente conseguiu, de um modo superlativo, vincar a faceta partidária que envolve a troca de galhardetes: «A gente vê a taxa de execução [do Plano do Governo] quando abre a janela!» A frase, porque não é irónica, aproxima-se muito do ridículo.
Vespa asiática mata
Um trabalhador do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) foi picado por uma vespa asiática e morreu. A notícia foi dada pelo portal do SAPO, referindo que a vítima, de 66 anos de idade, realizava uma operação de limpeza de um terreno florestal. A pessoa em causa sofreu uma paragem cardiorrespiratória e não sobreviveu, apesar de assistida pelo pessoal de uma Viatura Médica de Emergência de Reanimação (VMER) de Vila Real. ✓

COMENTAR