De jogador a historiador | fotografia com direitos reservados
Falar de Carlos Lobão não é nada difícil para mim, pois, ele vem de uma família que deixou o seu nome marcado na equipa do Vale dos Flamengos.

Carlos Fernando (Carlos Lourenço)
Não tenho bem a ideia firme sobre os seus primeiros pontapés. Penso ter sido na escolinha do Fayal Sport Club, mas não estou certo, pois em 1975-76, quando o Futebol Clube dos Flamengos entrou com a sua primeira equipa de juniores na Associação de Futebol da Horta (AFH), Carlos Lobão fazia parte dessa equipa e no ano seguinte, 1976-77, ano em que eu me iniciei em juniores, ele ainda fazia parte dos juniores, embora já tivesse sido chamado algumas vezes aos seniores da equipa do Vale.
Na época de 1976-77, ano em que começou a organização de seleções juvenis no Torneio da Páscoa da AFH, Lobão fez parte de uma das seleções faialenses. No ano seguinte afirma-se nos seniores do FC Flamengos, tendo até feito parte da equipa que se deslocou ao Canadá em 1977-78.
Falar de Carlos Lobão não é nada difícil para mim, pois, ele vem de uma família que deixou o seu nome marcado na equipa do Vale dos Flamengos. O seu pai, o seu tio, fizeram parte da grande equipa dos Flamengos que jogava na FNAT/INATEL, que venceu nos Açores, deslocando-se ao continente, em torneios muito frequentes na década de 60 do século passado. Isto para não falar do seu irmão José (“Josezinho”) Lobão da minha geração, que foi mesmo um craque durante toda sua carreira futebolística e meu adversário e colega de três anos de seleção.
Voltando ao Carlos, era um talento puro! Entrar, como aconteceu com ele, na primeira equipa dos Flamengos com Manuel Bulcão e António Melo “Bate Chão”, não era coisa fácil. Carlos Lobão, aos poucos, foi entrando e resolvendo jogos importantes, sendo já um menino especial, muito estimado por essa equipa poderosíssima e muito madura dos Flamengos, com jogadores como “Canhoto”, Carlos Serpa, Manuel Silveira, José Silveira “Cacá”, José Joaquim, etc.
Falando das suas qualidades técnicas, do seu talento, na minha simples e apaixonada maneira de ver, com todos os desacordos que possam existir, Carlos era um falso lento, um jogador forte fisicamente e de grande músculo de perna, podia dizer lento como extremo, mas muito rápido na execução, daí o falso lento. Não era extremo de fazer grandes «sprints», ou bater alguém em velocidade, porém, tinha muita técnica com os dois pés e sabia cobrir a bola muito bem. Tinha por norma encostar-se à linha lateral sobre o lado esquerdo e quando recebia a bola, se o defesa lhe desse um palmo de terreno, estava ultrapassado. Dominava muito bem e driblava ainda melhor, muito esperto e senhor de saber que se fosse para a linha o defesa o apanhava, então, ao driblar, procurava a linha central da área e desferia o seu forte pontapé com o pé direito. Tinha mesmo uma grande potência no remate e era muito certeiro diante da baliza. Lembro-me de alguns golos obtidos dessa maneira, com as redes a mexerem e os adeptos a vibrarem.
Penso que Carlos Lobão não foi um jogador constante na equipa do Vale, talvez também por lesões. Essa é a ideia que tenho. Foi muito ausente, à semelhança do que aconteceu com vários talentos da ilha, que ingressaram na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada.
Decidiu deixar o futebol mais de lado, pois, eram poucos os que conjugavam os estudos com o futebol nessas épocas.
O jogo que me ficou mais na memória foi um jogo em que ele foi mesmo grande com uma enorme atuação na jornada açoriana contra o Oliveirenses, treinado pelo magriço Jaime Graça.
Penso mesmo que Carlos Lobão chegou a jogar no Oliveirenses e em mais uma equipa de São Miguel por um curto período quando estudava na universidade.
Eu sou mais da geração do seu irmão José, nunca convivi muito com o Carlos, mas tenho a certeza e se calhar a de muitos que Carlos Lobão foi excelente atleta e de enorme correção para os seus colegas e adversários.
Embora mais tarde tendo voltado ao futebol e ingressado no Sporting da Horta, ficará sempre ligado ao FC Flamengos, pois a sua família, como já referi, entregou-se de corpo e alma ao engrandecimento da equipa do Vale e da sua freguesia.
Mais tarde vim a saber que Carlos Lobão teve queda para treinador, não sei se o fez em seniores, mas sei que em miúdos e juniores fez excelente trabalho no Atlético e Fayal Sport, isto dito por muitos, pois já nessa altura estava eu emigrado. Ao contrário de muitos Carlos Lobão ainda hoje vive na ilha do Faial, é doutorado, e tem feito excelentes trabalhos de História, escrevendo alguns Livros de desporto. ✓

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