Nesta Crónica sobre a nossa Cidade Torta, desta ilha Genial, venho falar-vos hoje de uma coisa que me impressionou!
Entrámos em período de festança, o que é muito bom, desde que não deixemos de cumprir as nossas obrigações.
E falando de obrigação, vêm-me logo à mente os nossos políticos. E porquê? Porque eles nos enchem os ouvidos, sobretudo quando estão a concorrer em eleições, sobre o seu grau de responsabilidade e dedicação à causa pública. Até vão dizendo, em surdina, que ganham pouco, que abandonam as suas profissões em prol do bem comum e ficam prejudicados por isso, etc.
A questão é que eu vejo-os quase comerem-se vivos quando toca a distribuir os lugares do poder. Nunca pensei que houvesse tanta gente a querer ser prejudicada na sua vida!
Ontem, reuniu-se, como o faz às quintas-feiras, quinzenalmente, a vereação desta Cidade Torta. Estavam lá quatro de sete vereadores! Pouco mais de metade…
O Senhor Presidente da Câmara fez-se substituir pelo Senhor Vice-Presidente, o que é legal e normal. No entanto, não me parece admissível que, na falta de um elemento do PSD, não tenha ida à reunião um suplente, para completar a quadra.
Pior do que isto foi, todavia, o que fez — melhor, que não fez — o PS. Lá estava um vereador, sozinho, com duas cadeiras vazias ao seu lado!
Podem-me dizer que não havia nenhum assunto importante a tratar; que há pessoas de férias, ou doentes, ou a viajar, ou a fazer outra coisa qualquer; que não houve tempo de promover substituições, etc.
Eu, como munícipe desta Cidade Torta, não aceito nada disso como explicação. Por várias razões, mas, principalmente por um motivo especial:
Aquando da formação das listas de candidatos autárquicos alguns partidos (os dois maiores) entram numa competição desenfreada para ver quem é que apresenta o maior número de candidatos. Se a memória não me atraiçoa, já houve eleições em que se duplicou ou triplicou o número mínimo de candidatos a que a lei obriga.
Perante o que aconteceu ontem, só tenho uma pergunta a fazer: esse rol de candidatos suplentes para que é que serve?
A resposta é óbvia: para enganar os eleitores, dando a ideia de que há muita gente a apoiar as listas!
Quando, porém, chega a hora de assumirem o compromisso a que estão política e eticamente obrigados, pernas para que vos quero!
Quando a gente vê que os políticos são todos iguais (e são, porque vêm do mesmo lugar de onde nós todos também vimos), eles ficam ofendidos se lhes apontarmos o dedo, porque não se pode meter — dizem e até fazem uma cara feia! — tudo no mesmo saco.
Onde é que está o espírito de serviço tão jurado, de quatro em quatro anos, à porta dos faialenses duas semanas antes das urnas abrirem?
A nossa Cidade Torta parece que não se endireita! ✓
P:S. Ao contrário do que acontece, normalmente, com a Crónica de uma Cidade Torta, desta feita, a semelhança das personagens, das entidades ou dos acontecimentos referidos, com pessoas, instituições ou situações, não é mera coincidência. ✓


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