Porto Pim, Horta, Faial, no domingo, 7 de julho de 2024 | fotografia de Rui Bettencourt
Com «dias de sol aberto previstos para a próxima semana, o estado do tempo exibirá alguns sinais de instabilidade durante a próxima quinzena»
O mês de junho ofereceu largos períodos de um tempo de verão e até os nevoeiros próprios da época, que não deixaram de aparecer, nem foram tão intensos como noutras ocasiões. De julho, do qual se espera o melhor da meteorologia, já não se pode dizer a mesma coisa, pois, a primeira semana do mês trouxe um ar abafado, céu encoberto, vento arreliador e até chuviscos. O empirismo dos observadores meteorológicos do povo desconfia de um junho bom, pois “a paga” (o pagamento) vem no mês seguinte.
Verdade, ou não, o primeiro mês completo de verão, julho, neste ano de 2024, não parece muito auspicioso quanto às previsões disponíveis.
Embora ressalvando que «o grau de fiabilidade das previsões alargadas superiores a quinze dias» se situa «na ordem dos 50%», José António Martins Goulart, conhecedor da matéria e sempre atento, até por tradição familiar, aos “ares” das ilhas, disse a soutoemlinha, baseado, nomeadamente, em informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que «apesar dos dias de sol aberto previstos para a próxima semana, o estado do tempo exibirá alguns sinais de instabilidade durante a próxima quinzena», que, no contudo, «não serão tantos nem suficientemente intensos que justifiquem a tipificação de tempo agreste».
Martins Goulart acrescentou que «o período em que o estado do tempo se deverá apresentar mais estável até ao final do mês, com precipitação quase nula e temperatura máxima que deverá atingir os 26º C (sensação térmica de 28º C), deverá ocorrer de 17 a 22 de Julho».
«Nos restantes dias — prosseguiu —, aumenta a probabilidade da passagem de sistemas frontais de fraca actividade, provocando aguaceiros, embora pouco frequentes, alternado com céu nublado e boas abertas.»
Reforçando o «grau de incerteza» de previsões feitas com muita antecedência, no caso vertente condicionadas pelo «comportamento» de uma «vasta região anticiclónica, desenvolvida em crista» próximo dos Açores e com «tendência a estender-se» até ao Golfo da Biscaia, Martins Goulart realça a «variabilidade» das condições atmosféricas que se verificam no período em análise, que «permite, ocasionalmente, a passagem de superfícies ou ondulações frontais, com fraca actividade, provocando regimes dispersos de aguaceiros ou massas de ar húmido, com a formação de neblinas».
Resumindo e concluindo: contemos com um mês de julho diferente, para pior, do do de junho. Na manhã de hoje, um dos tais observadores meteorológicos populares, olhando para o céu, assegurou, em tom de certeza, ao autor de soutoemlinha: o verão acabou!
Esta visão “catastrófica” talvez não se confirme, embora não nos devemos esquecer que o primeiro dia de agosto (já não falta muito) é o primeiro dia de inverno! ✓

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