António Nogueira, em 1997, quando se candidatou à presidência da Câmara | fotografia com direitos reservados
Faleceu no dia 8 de julho de 2024 António Augusto de Oliveira Nogueira, aos 91 anos de idade. Natural do Porto, radicou-se na Horta há mais de seis décadas, onde desenvolveu a sua atividade profissional como optometrista, através da Óptica Fayalense, que criou e estabeleceu nas ilhas do Faial e do Pico.
Apelidado pelos faialenses de “o oculista”, obteve assinalável sucesso com a sua empresa, destacando-se pela forma empreendedora e inovadora como conduziu o negócio, cujas instalações sempre tiveram um ar de modernidade, à Rua Conselheiro Medeiros.
“O Nogueira”, como, também, com simpatia, se lhe referiam os seus concidadãos, teve papel preponderante no Faial em atividades que extravasaram a profissão que abraçou por toda a vida, mesmo para além da idade da reforma, que acabou por acontecer com o encerramento da Óptica Fayalense após o falecimento da sua mulher.
Desporto, cultura e política chamaram a terreiro o seu espírito inquieto e corajoso, tendo-se lançado em empreendimentos vários, inclusivamente com investimento económico pessoal assinalável.
O cinema era uma paixão, tal como a que motivou, no plano sentimental, a sua vinda para a Horta, onde contraiu matrimónio em 1962, com uma professora oriunda da Piedade do Pico.
Realizou o filme sonoro e colorido «O Milhafre e a Avezinha», com base num texto de Amílcar Goulart e a participação de amadores faialenses extraídos ao famoso naipe de atores que notabilizaram o teatro no Faial a meados do século XX.
No salão São Pio X, na igreja Matriz, exibiu, nas décadas de 60 e 70 do século passado, filmes do “Bucha e Estica” e do “Charlota”, para agrado geral das crianças da catequese.
Foi guarda-redes e treinador de futebol e dirigente do Fayal Sport Club, onde contribuiu para a construção da sede-ginásio daquela coletividade. Segundo um testemunho de Constantino Silva, publicado no Facebook, a equipa de juniores dos “Verdes da Alagoa” foi a primeira a possuir camisolas e calções com números, ficando a dever essa inovação a António Nogueira.
Também foi jogador-treinador da sua modalidade desportiva preferida, o voleibol, responsabilizando-se, na década de 80 do século passado, pela orientação técnica de uma equipa do Sporting Club da Horta que teve assinalável sucesso nas competições da ilha.
Numa entrevista ao semanário Tribuna das Ilhas, em 2022, contou que, tendo sido Delegado dos Desportos da Horta, idealizou uma forma de, nas provas da Associação de Futebol, em que participavam, somente, o Fayal, o Atlético e o Sporting, ficando de fora, invariavelmente, uma delas a cada jornada, não acontecer esta paragem. Daí resultou o aparecimento do Futebol Clube dos Flamengos, a que esteve ligado e onde promoveu a filiação no Futebol Clube do Porto, o seu clube do coração.
Socialista ferrenho, como se descreveu na citada entrevista ao “Tribuna”, acabou por candidatar-se pelo CDS à presidência da Câmara Municipal da Horta, em 1997. Num registo de humildade, franqueza e coerência, classificou, na entrevista referida, de «grande asneira» a opção tomada, salientando, até, que obteve menos votos do que o número de candidatos que formaram as listas que liderou.
O seu “número 2”, Constantino Silva, não deixou, no entanto, passar em claro este gesto transparente, lembrando, num comentário nas redes sociais, que, no âmbito da candidatura, foi defendida a necessidade de «virar a cidade para o mar, o que serviu de motivo de chacota por parte de alguns que, muitos anos depois, vão lançando aos bochechos o projecto da Frente Mar». ✓



COMENTAR