«Sombras»: no Faial, 51 anos depois | fotografia com direitos reservados
Hoje realiza-se, pelo segundo ano consecutivo, após um longo interregno, o “Fourth of July” (“Fourth July” na designação usual na imprensa faialense e no pronunciamento do povo)
Até à Semana do Mar e depois do Vulcão dos Capelinhos, o “Fourth July” terá sido «a mais participada festa profana do Faial», segundo a opinião de José António Martins Goulart, veiculada numa notícia de soutoemlinha, em 2022. Este antigo presidente do Sporting Club da Horta lembrou que a festa «enraizou-se, adquirindo o estatuto de relevante tradição sociocultural da cidade da Horta».
Organizado pelo Sporting, o baile do dia 4 de julho deixou de se realizar a partir de 1987, de acordo com o historiador Luís Menezes. No livro «Centenário Sporting Club da Horta 1923 — 2023», citando o jornalista Luís Rosa, Menezes ressalva que, em 1990, a festa «só foi retomada de forma pontual».
Há um ano, a comissão organizadora das comemorações do centenário do Sporting fez reviver o «Fourth July», dando-lhe continuidade neste ano.
O futuro da coletividade sportinguista está, de certo modo, suspenso, depois de a respetiva Assembleia Geral não ter conseguido eleger corpos sociais, dando lugar a uma comissão administrativa, o que põe em causa a retomada, de forma regular, do «Fourth July», após dois anos de regresso da iniciativa.
Em agosto encontram-se, novamente, os sócios do clube, em reunião magna, para procurarem uma solução diretiva, pressionados pela subida da equipa encarnada ao escalão principal do andebol nacional e por constantes apelos ao regresso do futebol, que a recente beneficiação do Campo da Doca despertou.
A comissão do centenário mostrou trabalho de qualidade e há quem deseje ver nos seus elementos disponibilidade para integrarem os corpos gerentes do Club, até porque pontificam neste grupo nomes que são uma referência na Rua Eduardo Bulcão.
Enquanto isto, o «Fourth July» avança com o conjunto «Sombras», que, há 51 anos, também animou o baile. Os artistas, oriundos da ilha Terceira, atualmente a viverem na diáspora, procurarão recriar os tempos áureos da festa, contando com o saudosismo de faialenses e luso-americanos, já que a festa nasceu e realizou-se sempre sob a égide da relação da ilha com os emigrantes.
Quanto ao futuro, no rescaldo do «Fourth July», ficará a pergunta: e agora, Sporting?
O investigador histórico José Manuel Medina Garcia situou, na notícia de soutoemlinha de 2022, já referida, a primeira referência ao «Fourth July» no ano de 1939, que terá sido dedicado «aos americanos trabalhadores da companhia Western Union».
Luís Menezes, no livro atrás mencionado, afirma que «o Baile de 4 de julho» foi «inaugurado em 1947, por iniciativa do ex-emigrante nos USA, pianista, ator teatral, cenógrafo e desportista do Sporting Club da Horta, o incansável Manuel Cristo».
Este historiador sublinha que na divulgação do evento podia ler-se, invariavelmente, uma alusão à «homenagem a todos os Luso-Americanos em visita de saudade à sua terra natal».
Numa pesquisa aleatória, soutoemlinha encontrou, no jornal Correio da Horta, várias menções ao «Fourth July», quer como publicidade, quer como notícia.
A 5 de julho de 1968, sexta-feira, no dia seguinte à festa, o “Correio” escreveu o seguinte: «Na noite de ontem, a tradicional festa do Fourth July, no Sporting, teve desusada animação. À costumada presença de luso-americanos, houve a registar o convívio dos excursionistas do Portuguese S. Club. E os próprios faialenses intervieram largamente. Assim, a esplanada, decorada com motivos regionais, tendo a encimar o palco as bandeiras portuguesa e americana, assinalou verdadeira enchente. Ao começo da interessante festa compareceram os Srs. Governador do Distrito e Presidente do Município, com suas esposas. O agrupamento musical «Os Românticos» apresentou apreciado reportório e, em autêntica surpresa, a menina Mitchel, mascote do Portuguese cantou o Hino Estadunidense. Cerca 1,30 h. terminou a animada comemoração que este ano, em mais larga escala, primou em festa de confraternização luso-americana.»
Através de um anúncio de 3 de julho de 1975, quinta-feira, fica-se a saber, que animação musical daquele ano foi feita pelo conjunto «Gatos Negros».
Em 1961, terça-feira, o jornal publicou a publicidade da festa, no próprio dia. Rezava assim: «No confortável recinto do SPORTING, verdadeira sala de baile ao ar livre da nossa cidade, mais uma festa dedicada e de homenagem aos luso-americanos, que se encontram nas nossas ilhas dos Açores, de visita de saudade às suas famílias. NOVAS CANÇÕES — NOVOS PRÉMIOS, FLORES, LUZ, ALEGRIA. Variado reportório de boa música para dança pela orquestra “Sem Rei Nem Roque”, com o seu muito apreciado e simpático vocalista». ✓

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