O Tribuna Das Ilhas mudou de diretor. A nova responsável editorial deste semanário foi entrevistada na Rádio Antena Nove pelo Rui Baptista. A esse propósito, comentei o seguinte:
Acabei de escutar a entrevista à diretora interina do Tribuna Das Ilhas, jornalista Susana Garcia. A Susana merece um grande elogio, pois, é o verdadeiro sustentáculo do jornal, provando-o, mais uma vez, ao assumir, agora, novas responsabilidades. Tem um desafio gigantesco pela frente, o que mostra que é uma mulher corajosa.
Há 50 anos, o jornal era uma presença imprescindível na casa de muitos faialenses. Meu avô paterno lia muito mal, mas, assinava O Telégrafo para ler os títulos. Eu próprio, lembro-me, ainda no tempo da escola, de procurar o jornal para ler a rubrica «Fazem anos hoje…»
Mais tarde, já na última década do século passado, quando acabou o semanário Incentivo e adquiri com meu irmão O Telégrafo, conseguimos juntar os assinantes dos dois jornais e ultrapassar os 3.000 exemplares de tiragem, se bem que, muitos deles, já antigos, eram oferta.
Hoje, já não é assim. Com a Internet, a informação mudou de feição e agora toda a gente pode ser jornalista. O problema é que a credibilidade da informação é muito difícil de apurar. Além disso, as organizações, de carácter político, económico, social, desportivo, religioso, etc. produzem notícias, mas, naturalmente, apresentam o seu “lado” da informação. Isto, no campo político, por exemplo, torna-se evidente, com a complacência do público, que aceita sem pestanejar o que lhe põem à frente. Uma boa fotografia (até, às vezes, nem isso) suplanta qualquer outra mensagem mais elaborada que vise esclarecer as pessoas. A superficialidade impera!
Por de trás do desinteresse dos leitores, há, ainda, uma oculta intenção dos poderes, nomeadamente o político, de matar os órgãos de imprensa.
Entretanto, os faialenses estão hipnotizados e não reclamam: temos um abastecimento marítimo deficiente; um porto cada vez mais incapaz de responder às exigências da sua importância transatlântica (apesar do presidente do Governo exaltar o «atlantismo» da Horta); um aeroporto à espera de ampliação (já nem das zonas de segurança de fala); ligações aéreas com o exterior a diminuírem; uma das principais estradas da ilha a caminho de se tornar numa canada esburacada; e até a Atlânticoline com greve anunciada para o pico da época turística!
E as coisas boas? São várias: frente-mar inaugurada; bom serviço de saúde (Hospital e Unidade de Saúde); projetos camarários para a habitação; grande procura no sector do turismo. Isso, embora nos satisfaça, não nos preocupa. Temos é que olhar e reivindicar o que está em falta.
A imprensa era um aliado dos faialenses nesse sentido, mas, está fraquinha, tal como os nossos políticos, que querem é gabar-se!
Congratulo-me, Rui Baptista, com a tua presença na Antena Nove, pois, a a Rádio do Faial deveria ser a voz da ilha. Não sei é se a estrutura tem capacidade para aguentar a dinâmica necessária para tanto. Um abraço! ✓

COMENTAR