«Eu sei que isto é chato / Mas somos todos iguais» | fotografia com direitos reservados, 2015
A comunidade faialense, onde escolheu integrar-se, há muitos anos, conhece-o, sobretudo, como funcionário da SATA, no Aeroporto da Horta, de que já se aposentou. Profissional competente, de trato cortês, presença distinta, com um “toque” continental, de onde provém, Leonel Alberto Furtado, com o gozo da reforma, revelou-se um poeta improvável — pelo menos para aqueles que não o conheciam a fundo.
Já deu à estampa, em várias edições, o produto da sua sensibilidade literária, que traduz em verso. Aqui, “produto” é a palavra adequada, pois, através das redes sociais e dos livros, mostra-se um incansável escritor, surpreendendo, quase diariamente, com novas criações.
Seria interessante compilar e estudar o trabalho poético-literário deste autor. Para já, é possível segui-lo através dos seus livros e da Internet, com uma leitura que se torna agradável.
Ontem, uma vez mais, Leonel Furtado publicou na Facebook um poema que, para além do estilo, transporta uma mensagem universal, que nos põe a pensar, sobretudo nos tempos que correm, em que a sede de poder, o egoísmo, a vaidade, e muitas mais deficiências que a natureza humana comporta, preenchem tudo aquilo que nos rodeia.
É CHATO…
Há um lugar solitário,
Onde a vaidade é opaca,
Onde o forte só faz caca
E o fraco é temerário,
Para o “preso” é um calvário.
Ali, reina a igualdade,
Perante a necessidade,
Estão na mesma condição,
Todos com as calças na mão,
Seja qual for a idade.
Quem na precisão incorra,
Não tem outra prioridade,
Pois, quando chega a vontade,
Não há ninguém que socorra
Senão que pra lá se corra.
Não há chuvas, vendavais,
Nem guerras nem festivais,
Que nos demovam do ato.
Eu sei que isto é chato,
Mas somos todos iguais. ✓

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