“Fotografia de família”, da autoria de Fernando Manuel Duarte, com todos os protagonistas
O Conservatório Regional da Horta (CRH), o seu Laboratório de Composição e o Coral de Santa Catarina (CSC) promoveram um interessante momento musical no final do ano letivo
Nos últimos tempos, o CRH tem dado sinais de rejuvenescimento, não apenas na renovação do seu quadro docente, mas, também, através de uma presença visível fora das portas da Escola António José de Ávila, onde está sediado, mostrando o resultado do que por lá se faz.
No dia 21 de junho de 2024, sexta-feira, foi, uma vez mais, confirmada a revitalização da principal escola de música do Faial e uma das mais importantes dos Açores, através da realização de um concerto, a encerrar as atividade letivas, na igreja do Carmo.
Três aspectos dessa iniciativa merecem destaque: a atuação de jovens, que despertam, com qualidade já reconhecida, para prováveis carreiras musicais; uma forma inovadora de dar a conhecer o trabalho do Conservatório e a interação da instituição com organismos locais, acentuando uma desejada relação com a comunidade.
Rómulo Lima, aluno, foi o protagonista do primeiro número apresentado, ao piano, interpretando, em estreia absoluta, a composição de autoria própria, intitulada «Coração de Cristal», baseada «nas suas improvisações», conforme revela o opúsculo de divulgação do programa. A partitura está manuscrita, o que não deixa ser relevante, quando as novas tecnologias são para tudo chamadas.
O autor desta reportagem esteve presente e testemunha a agradabilidade dos sons que saíram da sensibilidade, arte e técnica de Rómulo Lima.
Seguiu-se a peça mais inesperada daquela noite cultural, denominada «Expansão», criada a partir do trabalho realizado pelo Laboratório de Composição. No folheto referido, lê-se, para além de outras explicações, que a interpretação em causa teve o propósito de «proporcionar uma experiência auditiva absorvente». E, na verdade, o autor desta reportagem testemunhou, mais uma vez, o efeito pretendido da peça em causa.
Os executantes “espalharam-se” por toda a igreja, distantes uns dos outros, incluindo o coro alto, sob a batuta do líder do Conservatório, Hildeberto Peixoto, e fizeram com que, realmente, a música envolvesse a assistência, de uma maneira especial e marcante, «absorvente» como pretendido.
Responsáveis, entre professores e alunos, por esta execução incomum, pelo menos por cá, foram Samuel Bulcão Dutra (órgão e glockenspiel), Ana Maria Rosa (saxofone alto), Rómulo Lima (piano), André Silva (trompete), Ana Paula Sousa (violino I), David Brinco (clarinete), Mafalda Silva (violino II), Nuno Mendes (tímpanos), Cláudio Cruz (contrabaixo), Inês Duarte (flauta transversal), Ema Gonçalves (clarinete baixo).
Encerrou o espetáculo o Coral de Santa Catarina, sob a direção musical ocasional, embora em alta performance, de Dalila Silva que explorou, de forma surpreendente, os recursos vocais e de harmonia dos naipes que tinha pela frente, os quais interpretaram composições de L. Bordese, M. Faria, Marzi, Caspar e Lotti.
Só uma nota destoou, embora habitual: a ausência de público em número que daria ainda mais valor ao concerto. Os faialenses, porém, não querem apreciar, acarinhando com a sua presença, o que de bom é realizado na sua terra! ✓


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