Depressão Hipolito, cidade da Horta, quinta-feira, 11 de janeiro de 2024 | fotografia de Luís Campos
Em 30 anos mau tempo intensificou-se
Sejam quais forem as causas das alterações climáticas, uma coisa é certa: o estado do tempo já não é o que era!
Numa das suas frequentes análises ao estado e à previsão do tempo, que mantém como passatempo, partilhando-as no Facebook, Martins Goulart, faialense e professor universitário jubilado, publicou um quadro sobre a atividade sazonal de furacões no oceano Atlântico, extraído do National Hurricane Center, dos Estados Unidos da América, de cuja observação se conclui pela «probabilidade, bem acima da média,» de se formarem «grandes furacões», que poderão atingir «a costa atlântica dos Estados Unidos e as Caraíbas até 30 de Novembro próximo», nas palavras do próprio Martins Goulart.
Perante esta constatação, Martins Goulart adverte, no entanto, que tal «não significa que haja alguma tempestade tropical atualmente em formação e, muito menos, que, num futuro próximo, desse calendário resulte, necessariamente, uma probabilidade acrescida de um furacão vir a atingir os Açores».
Na publicação do Facebook em referência vem a explicação sobre o que está em causa: a «prevista hiperatividade, decorre, por um lado, das atuais condições do fenómeno meteorológico com a designação de “El Niño” que, provavelmente, transitarão para as condições de um outro fenómeno meteorológico conhecido por “La Niña” que deverão predominar durante o período de verão/outono deste ano, criando as condições de cisalhamento do vento favoráveis à génese de furacões», escreve Martins Goulart.
Além do mencionado, há a considerar, ainda de acordo com Martins Goulart, que «as temperaturas da superfície do mar no Atlântico oriental e central atingiram, atualmente, níveis recorde, prevendo-se que se mantenham bem acima da média durante a temporada de furacões que hoje [ontem] se inicia, assim proporcionando um ambiente dinâmico e termodinâmico mais propício à formação e intensificação de furacões».
MAIS FURACÕES E MAIS DIAS DE TEMPESTADE
O estado do tempo tem vindo a piorar ao longo das últimas décadas. Pelo menos é o que se pode concluir da observação do quadro já referido. Entre 1991 e 2020 foram nomeadas no oceano Atlântico, em média, 14,4 tempestades por ano; em 2024 deverão ocorrer 23. Quantos aos dias de tempestade, a média entre 1991 e 2020 foi de 69,4, contra a previsão de 115 no corrente ano, durante o qual deverão ocorrer 11 furacões, enquanto a média do período anterior mencionado não ultrapassou 7,2. A mesma disparidade verifica-se quanto ao número de dias em que os furacões fizeram sentir a sua influência: 45 contra 27. No que diz respeito a grandes furacões a diferença é de 5 para 3,2, o que, no que toca aos dias de atividade de tais fenómenos, corresponde à diferença de 13 para 7,4. Por fim, a energia acumulada neste campo entre 1991 e 2020 atingiu 123, enquanto está previsto que esse valor em 2024 suba para 210.
Martins Goulart especifica que em 2024 os furacões mais intensos poderão surgir com a velocidade de ventos sustentados entre 178 e 208 Km/h. e que a respetiva atividade «será de cerca de 170% superior à média das temporadas de 1991 a 2020», considerando que se trata de «um aumento muito significativo se tivermos em conta que o índice da atividade dos furacões em 2023 foi de cerca de 120% mais elevado do que a temporada média»
Os dados em referência dizem respeito à costa leste das Américas do Norte e Central.
Por fim, Martins Goulart ressalva que «se trata de uma previsão baseada numa modelação complexa que inclui muitas variáveis», o que implicará «actualizações desta previsão a 11 de junho, 9 de julho e 6 de agosto». ✓


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