Francisco José
A meados da década de 70 do século passado era, sem dúvida, um dos jogadores mais talentosos da ilha e do Sporting Club da Horta, e até nada ficava a dever aos grandes talentos que despontavam em São Miguel e na Terceira naquela altura

Francisco José foi mais um dos grandes talentos do viveiro da freguesia de Castelo Branco, localidade que, na minha opinião, foi a que deu mais jogadores talentosos para o Sporting Club da Horta.
Dentro das minhas possibilidades irei tentar descrever as qualidades deste “senhor jogador” faialense, sempre dentro da minha visão de miúdo, quando adorava ver os grandes ídolos da ilha do Faial. Uma visão que é reforçada pelo facto de, ainda na minha carreira de jogador faialense, ter defrontado alguns dos consagrados como o Francisco José.
A meados da década de 70 do século passado era, sem dúvida, um dos jogadores mais talentosos da ilha e do Sporting Club da Horta, e até nada ficava a dever aos grandes talentos que despontavam em São Miguel e na Terceira naquela altura.
A ideia que tenho é que o ponto alto da sua carreira aconteceu mais ou menos por altura do seu 7.º ano de Liceu, onde maravilhava os miúdos como eu, nos jogos escolares. Nunca mais saiu da nossa memória!
Acompanhei os seus grandes jogos pelo Sporting da Horta, bem como pela seleção faialense.
Era um jogador fino, com uma técnica acima da média. Usava o peito como arma para se adiantar aos adversários ,transportando o esférico sempre de cabeça levantada. Aliás, tinha jogadas que me faziam compará-lo (entre parêntesis) com o Carlos Manuel do Benfica.
Sempre em movimento, com excelente remate espontâneo, no auge da sua carreira tenho a ideia que jogou mais pela direita ou até como avançado, mas sempre muito móvel, com grande categoria atacante.
Era um jogador que transportava uma mística de grande vencedor, lutador e era um “terror” mesmo a defender, metendo o pé aos adversário, não somente no seu ataque como também na luta que dava em recuperar e lutar pela bola até à exaustão.
Não sei qual foi o seu momento mais alto com a camisola do Sporting, pois teve vários jogos a nível Açores diante do Santa Clara, Angrense e Lusitânia. Nesses jogos evidenciava toda sua classe, mostrando mesmo que estava ao nível de muitos craques dos Açores na altura.
Um dos jogos que mais ficou na retina de todos os faialenses foi o da seleção defrontando o União de Tomar, por volta de 1972/73/74, se não me engano.
Jogo grande na Doca em que os faialenses perdem com um grande União de Tomar por 4-3, sendo um dos três golos faialenses apontado pelo Francisco José.
Também defrontou o Benfica de Eusébio e fez parte da seleção que venceu Ponta Delgada na inauguração do Estádio de São Miguel por 1-0.
Defrontou o Sporting Clube de Portugal, fez parte da seleção que venceu, na Alagoa, por 2-1, o Portimonense, treinado por Mário Lino. Aliás, fez parte de todos os momentos altos da sua geração.
Francisco José veio dos juniores do Sporting, de que na altura faziam parte imensos talentos que vieram a marcar a sua era na ilha: Evaristo Rosa, Carlos Serpa, António Amaral, Alexandre Simas, Tino Lima, Ivo e muitos outros.
Curiosamente, mais uma vez fui feliz na minha simples carreira, pois tivesse o privilégio de defrontar o meu ídolo Francisco José, embora já não fosse o mesmo jogador, visto que foi vítima de graves lesões nos joelhos.
No meu tempo, anos 80 do século passado, jogou com grande sacrifício, com os joelhos ligados, e embora não atingisse o esplendor do passado, a sua classe e a sua experiência ainda foram importantes para o Sporting vencer campeonatos.
Nesse seu final, jogava mais como médio recuado, mas, sendo sempre um jogador perigoso, apesar de já não estar no seu auge.
As lesões nos joelhos talvez não o deixaram ir mais além.
Na minha simples opinião, e tenho a certeza que muitos irão partilhar da mesma maneira de pensar, o Francisco José, a meados dos anos 70 do século passado e até ao seu final foi do melhor que apareceu na ilha. Na altura falava-se que tinha qualidades para ir mais além.
Termino mais este meu trabalho dizendo que foi um privilégio tê-lo visto jogar no seu melhor e ainda mais tê-lo defrontado um ou dois anos. Foi, sem dúvida, um dos melhores que ficaram como símbolos do Sporting da Horta. ✓
![Génios do futebol faialense [5]](https://soutoemlinha.com/wp-content/uploads/2024/07/s_2024-07-18_23h04-1.jpg)
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