Este facto, levou o antigo central da equipa principal de futebol do Sporting, Edgardo Goulart, a uma interrogação, em jeito de reflexão: por que é que no Faial houve tantos e tão bons futebolistas e hoje não há?

No centro do debate esteve a fragilidade atual dos clubes desportivos locais, e outras coletividades.

As questões relacionadas com a viabilidade, ou sustentabilidade, como agora se diz, económica e financeira, vieram, naturalmente, à baila, o que levou o presidente da Associação de Futebol da Horta, Eduardo Pereira, a recordar uma situação: antigamente, os clubes realizavam as suas festas, o dinheiro dos bilhetes de ingresso pagava as despesas e o resto era lucro; agora, qualquer iniciativa só dá despesa.

Manuel Lino, um dos futebolistas que saiu do Faial para outro patamar, que também representou o Fayal Sport e tem uma larga “folha de serviços” como treinador de todos os escalões de futebol, com os quais arrecadou diversos títulos, além de uma vasta colaboração na imprensa e na rádio, e é, ainda, uma das personalidades que tem, desde há muito tempo, pensado o desporto faialense, fez a seguinte reflexão:

No passado, quando os clubes organizavam qualquer coisa, lia-se nos cartazes o convite à participação dos sócios e das suas famílias. Esses sócios correspondiam ao convite com as suas esposas, filhos e até netos, criando e alimentando um sentimento de pertença ao seu clube. Hoje isso já não existe. Os jovens mudam de clube de época para época e não têm um vínculo com qualquer um deles. Daqui resulta a dificuldade de encontrar gente para formar direções. Por isso é fundamental investir, em primeiro lugar, na formação de dirigentes, porque se não houver quem abra a porta os clubes morrem.

Manuel Lino acrescentou que os dirigentes estão para o clube como os árbitros estão para o jogo. No jogo, há quem diga que os árbitros não fazem falta, porque arranja-se sempre alguém que queira arbitrar, mas, árbitros sem preparação não garantem um bom jogo. Nos clubes, também se pode arranjar alguém para dirigir, mas se não forem pessoas preparadas para isso vão-se embora seis meses depois e deixam tudo desorganizado.

O antigo presidente da Associação de Futebol da Horta e do Fayal Sport Club, de que foi praticante de futebol e hóquei em patins, José Machado, complementou  a intervenção de Manuel Lino dizendo que o Estado devia apoiar a contratação de funcionários para o secretariado dos clubes de modo que os diretores deixassem de ser «escravos da secretaria».

José Machado informou que, no passado, em São Miguel, o Governo destacava para os clubes beneficiários do Fundo de Desemprego.

Este resumo, que não inclui referências à totalidade das intervenções, foi feito com recurso à memória, sem anotações no local, como atrás mencionei, e pode, por isso, pecar por alguma imprecisão, no entanto, penso que reflete o contexto e o sentido do que foi dito. ✓

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