O Sporting Club da Horta está a comemorar o seu 1.º centenário
O dirigente está para o clube, como o árbitro para o jogo
O Sporting Club da Horta promoveu, no sábado, 6 de abril de 2024, pelas 18 horas, na Casa Manuel de Arriaga, um fórum denominado «Clubes Centenários – passado, presente e futuro», integrado no programa do seu Centenário, iniciado em maio de 2023.
Abriu a reunião o presidente da comissão de gestão do Sporting, David Marcos, e encerrou-a o presidente da Assembleia Geral, Carlos Morais.
As duas intervenções ficaram marcadas pelas dificuldades que o Club enfrenta presentemente, nomeadamente para a composição dos órgãos sociais. Nas últimas quatro sessões da Assembleia Geral não foi encontrada uma solução para a crise diretiva. A Assembleia Geral reunir-se-á, de novo, em agosto.
Carlos Morais lançou uma frase preocupante no epílogo da sessão: o Sporting vai comemorar 101 anos, mas, pode não chegar aos 102.
O antigo presidente da Assembleia Geral do Atlético, Vítor Soares, e o presidente da Direção do Fayal Sport, Luís Carlos Rosa «Rosinha», também usaram da palavra, bem como um representante da secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Flávio Martins.
Integraram um painel de oradores, que deu lugar a um debate, moderado por Luís Prieto, os historiadores Luís Menezes e Carlos Lobão, e eu próprio.
Embora não tenha tomado notas, devido à função que desempenhei no fórum, fixei alguns momentos relevantes de mais de duas horas passadas em torno dos temas levados à discussão.
Luís Menezes pôs em relevo a qualidade de atletas faialenses que se notabilizaram na nossa ilha e ultrapassaram as suas fronteiras, referindo que, a meados do século passado, a seleção da ilha Terceira de futebol integrava mais de metade de jogadores da ilha do Faial, na altura representando as cores do Lusitânia e Angrense. Boa parte deles eram do Sporting da Horta.
Este facto, levou o antigo central da equipa principal de futebol do Sporting, Edgardo Goulart, a uma interrogação, em jeito de reflexão: por que é que no Faial houve tantos e tão bons futebolistas e hoje não há?
No centro do debate esteve a fragilidade atual dos clubes desportivos locais, e outras coletividades.
As questões relacionadas com a viabilidade, ou sustentabilidade, como agora se diz, económica e financeira, vieram, naturalmente, à baila, o que levou o presidente da Associação de Futebol da Horta, Eduardo Pereira, a recordar uma situação: antigamente, os clubes realizavam as suas festas, o dinheiro dos bilhetes de ingresso pagava as despesas e o resto era lucro; agora, qualquer iniciativa só dá despesa.
Manuel Lino, um dos futebolistas que saiu do Faial para outro patamar, que também representou o Fayal Sport e tem uma larga “folha de serviços” como treinador de todos os escalões de futebol, com os quais arrecadou diversos títulos, além de uma vasta colaboração na imprensa e na rádio, e é, ainda, uma das personalidades que tem, desde há muito tempo, pensado o desporto faialense, fez a seguinte reflexão:
No passado, quando os clubes organizavam qualquer coisa, lia-se nos cartazes o convite à participação dos sócios e das suas famílias. Esses sócios correspondiam ao convite com as suas esposas, filhos e até netos, criando e alimentando um sentimento de pertença ao seu clube. Hoje isso já não existe. Os jovens mudam de clube de época para época e não têm um vínculo com qualquer um deles. Daqui resulta a dificuldade de encontrar gente para formar direções. Por isso é fundamental investir, em primeiro lugar, na formação de dirigentes, porque se não houver quem abra a porta os clubes morrem.
Manuel Lino acrescentou que os dirigentes estão para o clube como os árbitros estão para o jogo. No jogo, há quem diga que os árbitros não fazem falta, porque arranja-se sempre alguém que queira arbitrar, mas, árbitros sem preparação não garantem um bom jogo. Nos clubes, também se pode arranjar alguém para dirigir, mas se não forem pessoas preparadas para isso vão-se embora seis meses depois e deixam tudo desorganizado.
O antigo presidente da Associação de Futebol da Horta e do Fayal Sport Club, de que foi praticante de futebol e hóquei em patins, José Machado, complementou a intervenção de Manuel Lino dizendo que o Estado devia apoiar a contratação de funcionários para o secretariado dos clubes de modo que os diretores deixassem de ser «escravos da secretaria».
José Machado informou que, no passado, em São Miguel, o Governo destacava para os clubes beneficiários do Fundo de Desemprego.
Este resumo, que não inclui referências à totalidade das intervenções, foi feito com recurso à memória, sem anotações no local, como atrás mencionei, e pode, por isso, pecar por alguma imprecisão, no entanto, penso que reflete o contexto e o sentido do que foi dito. ✓


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