Sete propostas a concurso
Júri não tem prazo para se pronunciar, mas, presidente do Município quer celeridade

Pista do Aeroporto da Horta tem quase 1.600 metros de comprimento | fotografia de Souto Gonçalves, arquivo
De acordo com o jornal Incentivo o presidente da Câmara da Horta, Carlos Ferreira, informou hoje a vereação, durante a reunião ordinária do executivo municipal, que foram recebidas sete propostas para a elaboração do projeto de execução de ampliação da pista do Aeroporto da Horta, cujo concurso público internacional agora termina.
O júri do concurso vai pronunciar-se sobre as propostas recebidas, sem prazo para fazê-lo, embora Carlos Ferreira tenha pedido celeridade no processo, conforme sublinhou o presidente do Município em resposta ao vereador João Bettencourt, do Partido Socialista, que, ainda segundo o Incentivo, procurou saber qual o termo do período de análise dos documentos em causa.
Carlos Ferreira, que já tinha avançado a notícia em declarações à RTP-Açores, considera, conforme nota informativa distribuída pelo serviço de comunicação da Câmara Municipal, que a receção das propostas é «mais um passo significativo na concretização de uma aspiração antiga dos faialenses». Para o autarca «o facto de ter concorrido um número tão elevado de empresas demonstra que se trata de um concurso, de um projeto e de uma obra apetecíveis».
UM POUCO DE HISTÓRIA
A melhoria das condições de operacionalidade do Aeroporto da Horta é uma reivindicação muito antiga expressa pela opinião pública faialense, a que foi dado significativo relevo na imprensa local, nomeadamente através do extinto jornal O Telégrafo, sob a direção de Ruben Rodrigues, ainda na década de 80 do século passado. Colaborador do mesmo periódico, Fernando Melo assumiu-se, também, como um paladino desta causa, nomeadamente da ligação direta de Lisboa à Horta pela TAP, que se iniciou em 1985.
O assunto tornou-se tema de debate político ainda antes de iniciado o primeiro quartel do século XXI, mantendo-se até hoje, e nas campanhas eleitorais passou a ser promessa obrigatória o aumento da pista, ficando relegada, até, para segundo plano, a necessidade de uma mais abrangente requalificação daquela infraestrutura.
Momento polémico e com grande significado político, que, volta e meia, é trazido à colação – a último campanha eleitoral foi disso exemplo –, aconteceu em pleno salão nobre dos Paços do Município, quando o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho se mostrou indisponível para que o Orçamento de Estado financiasse este desejo, tido como uma vontade de todos os faialenses.
A verdade é que tal unanimidade não existe, pois, sobretudo em surdina, há quem se vá manifestando descrente na imprescindibilidade do investimento. No entanto, a criação de um ativo Grupo Aeroporto da Horta na rede social Facebook, com grande notoriedade e participação, de que é figura visível Dejalme Vargas, apoiado, diz-se, por personalidades prestigiadas na ilha, que, porém, não revelam a sua identidade, e duas participadíssimas manifestações fora da Assembleia Legislativa dos Açores (uma delas em protesto contra o alegado mau serviço prestado pela SATA ao Faial), são suficientes para fazer crer que existe um forte sentimento de apoio da população faialense à criação de condições operacionais do Aeroporto que permitam a operação de aeronaves de dimensão superior às que, presentemente, aterram e levantam na freguesia de Castelo Branco.
O discurso político da governação e da oposição está pejado de declarações sobre o Aeroporto. No entanto, as medidas concretas levaram tempo para serem concretizadas, até que, finalmente, já é possível falar em passos concretos para a frente.
O discurso político da governação e da oposição está pejado de declarações sobre o Aeroporto. No entanto, as medidas concretas levaram tempo para serem concretizadas, até que, finalmente, já é possível falar em passos concretos para a frente.
A notícia das sete propostas concorrentes à elaboração do projeto de execução de ampliação da pista constitui um avanço objetivo.
Recorde-se que a Câmara Municipal da Horta, presidida por Carlos Ferreira, assumiu a responsabilidade de promover tal elaboração, tendo recebido, para o efeito, o apoio de 1,2 ME (milhões de euros) do Governo da República e de 800 mil euros do Governo Regional.
Em 2016, o Município, presidido por José Leonardo, tomou a iniciativa de formar uma comissão, composta por cidadãos e técnicos locais, para avaliar o custo do empreendimento, orçando-o num valor aproximado a 35 ME. Este número causou surpresa, pois, da República veio uma previsão de gastos de mais do dobro, valor a que uma outra comissão, formada por representantes do Governo da República, do Governo Regional e da Câmara Municipal, também chegou.
Enquanto isto, a pista terá que ser alvo, por razões legais, de obras para a criação de zonas de segurança, que o concessionário já assumiu, tendo esta situação alimentado também uma polémica, visto que, pelo menos a determinada altura, não ficou claro se tais zonas iriam ser acrescentadas ao comprimento atual da pista, ou absorvidas, ainda que em parte, por este.
Também se tem discutido qual o comprimento necessário da pista após o aumento, sabendo-se que, presentemente, atinge quase 1.600 metros e que 1.797 metros dariam para a aeronave Airbus 320 operar sem penalizações (que o crescimento da pista eliminará) e 2.050 metros (comprimento que o projeto em elaboração deverá acolher) permitiriam a vinda ao Faial do Airbus 321. x


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