A ANTENA NOVE faz anos hoje. Neste dia, no ano de 1986, foi assinada a escritura da sua constituição como Cooperativa de Responsabilidade Limitada. A Rádio do Faial completa, assim, 37 anos de vida.

Fundaram a Cooperativa proprietária da ANTENA NOVE os seguintes cooperantes: António Maia, Fernando Santos, José Lemos, Luís Armas, Luís Mesquita, Luís Salvador, Paulo Soares, Rui Gonçalves e Souto Gonçalves. Emanuel Silva, já falecido, foi também fundador.

Entretanto, tornaram-se cooperantes Emanuel Jerónimo Silva, José António Goulart, Manuel Rosa, Paulo Dutra, Roberto Morais e Luís Carlos Armas, falecido recentemente.

Já não fazem parte da Cooperativa Emanuel Jerónimo Silva, Paulo Soares e Rui Gonçalves,

A meados da década de 80 do século passado, o País foi varrido por uma onda de “rádios pirata”. Nessa época existiam a Radiodifusão Portuguesa, sucedânea da Emissora Nacional e hoje Antena 1, e a Rádio Renascença, propriedade da Igreja Católica, para além de outras estações de âmbito regional, pouco numerosas. A RDP e a Renascença tinham dimensão nacional e até internacional, mas, só a rádio do Estado (RDP) chegava a todo o território.

No nosso arquipélago existia o Emissor Regional dos Açores, depois RDP-Açores, e duas rádios privadas: o Rádio Clube de Angra (RCA) e o Clube Asas do Atlântico, em Santa Maria.

No Faial escutava-se, mal, o RCA, e muito mal, o Asas do Atlântico. Restava a RDP-Açores, que cobria toda a Região.

O já referido fenómeno das “rádios pirata” despertou entusiasmo, pelas alternativas que poderia criar.

Surgiu, então, a primeira “rádio pirata” no Faial, que se denominou Rádio Canal. Depois, apareceu a ANTENA NOVE, também “pirata”. O movimento das “rádios livres” propagava-se, assim, para as ilhas.

No processo de legalização, que transformou as estações “pirata” ou “livres” em rádios locais, a ANTENA NOVE ficou com a única frequência atribuída por concurso no concelho da Horta. À frequência 91.3 juntaram-se, depois, mais três, 94.9, 95.9 e 102.2, para garantirem a respetiva audição em toda a ilha.

Ao logo de 37 anos a ANTENA NOVE afirmou-se no panorama da comunicação social local, apesar de um percurso heterogéneo no que diz respeito à produção radiofónica, atingindo, no entanto, assinalável notoriedade e prestígio o trabalho do seu núcleo desportivo. Tudo isto baseado no voluntariado, no amor à causa.

Pelo caminho, foram feitos avultados investimentos na área técnica, nomeadamente na rede de emissores, ficam, até hoje, para trás, uma aposta decisiva no apetrechamento e qualificação dos estúdios. As instalações da rádio continuam numa confrangedora indefinição quanto à sua cedência pelo Município, colocando a Rádio do Faial num atraso incompreensível, quando é feita uma comparação com as suas congéneres e, até, com novos projetos surgidos recentemente.

O amadorismo, que tende a desaparecer atualmente, mas que ainda tem um valor assinalável na nossa sociedade, foi a trave que segurou a ANTENA NOVE, contudo, a persistência neste “modelo” de gestão e ação, dependente de indispnibilidades intermitentes, já não responde às necessidades do momento e muito menos do futuro.

A ANTENA NOVE tem uma longa parceria com a Rádio Renascença para a retransmissão de informação nacional, geral e desportiva. Oferece uma grelha de programação de 24 diárias, com alguns programas de autor.

De segunda a sexta-feira, entre as 7 e as 9 horas, Ulisses Rosa realiza o programa «Bom Dia Café»; das 9 às 12 horas, Souto Gonçalves apresenta o programa «Aqui Há Souto», também de segunda a sexta-feira; no período das 14 às 16 horas, nos mesmos dias, João Ávila faz o «Cantigas da Rua» e, igualmente nos dias úteis da semana, Rui Bettencourt responsabiliza-se pelo programa «Musicomania», das 18 às 19 horas; aos sábados surge António Furtado, das 9 às 11 horas, com as «Manhãs da Rádio».

O núcleo desportivo, coordenado por Rui Rodrigues, assegura a transmissão das tardes e noites desportivas.

A Direção da ANTENA NOVE é composta por José Lemos, que preside, e por Fernando Santos e Luís Salvador.

Numa era em que os desafios à Comunicação Social são imensos; em que as Tecnologias de Informação e Comunicação estão cada vez mais acessíveis e vulgarizadas e o seu domínio encontra-se ao alcance de um crescente número de pessoas, a Rádio do Faial enfrenta, como nunca, uma forte interpelação à sua enorme responsabilidade enquanto agente ativo da sociedade faialense.

A desvalorização do que se passa à sua volta; a tendência para o imobilismo; a rejeição de chamadas de atenção para a necessidade, urgente, de acompanhar o ritmo de um sector em permanente evolução, não são os caminhos mais adequados para garantir a continuação do projeto que hoje faz 37 anos.

Os meus votos, neste aniversário da rádio que ajudei criar e com a qual mantenho uma colaboração que muito me agrada, são os de que a ANTENA NOVE seja capaz de ser uma rádio melhor, potenciando todo o seu historial e correspondendo ao que os faialenses, que sempre a acarinharam, dela ainda possam esperar. | x

José Manuel Souto Gonçalves

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